domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Tecnologia e a Revolução Educacional


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Gil Giardelli
A educação também se prepara para uma revolução. Há um ano estive em Madri, na Espanha, onde participei de um encontro mundial de educadores conectados pelas redes sociais, que anualmente se reúnem em algum lugar do mundo para entender o ensino do século 21. A conclusão a que chegamos é que somos, e seremos, educadores e estudantes durante toda a vida. O modelo educacional secular, no qual um fala e outros escutam já se esgotou.
No mundo conectado há três tipos de aluno: aquele que, em silêncio, presta atenção a tudo; outro que precisa conversar e pesquisar em rede; e um terceiro que precisa ver, sentir e tocar para aprender.
O espaço físico e as aulas cronometradas não fazem mais sentido. A educação repetitiva e decorativa torna-se obsoleta com toda a informação do mundo absolutamente disponível. No entanto, frequentar uma escola ainda é importante para compartilhar os valores da sociedade, para o coletivismo e para o trabalho colaborativo e em rede, três conceitos fundamentais para qualquer um crescer na vida e na carreira.
O professor não é mais o dono do conhecimento, mas sim o maestro do aprendizado em rede. Em um mundo atolado de informação, cada dia mais, ele terá o papel de curador da sabedoria das multidões.
Sim, teremos de estudar durante toda a vida. Em uma época, você será talvez um administrador, depois um professor, um empreendedor, um artista, um vinicultor. Não é fantástico? Prepare-se para essa realidade. Como? Corra e volte a estudar. Ao planejar seu aprendizado em 2013, mude sua postura na sala de aula, seja simultaneamente um contestador, um pesquisador e um educador.
Ficar sentado, esperando receber o conhecimento do professor, é um comportamento do século passado. Estude pelo prazer. Se for fazê-lo por obrigação ou apenas para conseguir uma promoção, é melhor nem começar. Será pior para você. E faça mais: participe de grupos de estudos on-line, que se organizam na internet, mas que realizam encontros presenciais periódicos, participe de trabalhos voluntários, de saraus de poesia, de debates e trocas de ideias. Neste mundo, em que a simples troca de informação é um motor de grandes mudanças, seu diploma tem prazo de validade curto. Mantenha a calma, vá em frente e sempre pense: que futuro estou construindo para nós e para o mundo?
Gil Giardelli é autor do livro "Você é o que você compartilha" (Editora Gente), e especialista no Mundo.com, com quase duas décadas de experiência no universo digital. Web-ativista, é também professor nos cursos de Pós-Graduação e MBA do Miami Ad School e do Centro de Inovação e Criatividade (CIC) da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, e da FIA-LABFIN/PROVAR em São Paulo. Giardelli também é CEO da Gaia Creative, empresa que aplica inteligência de mídias sociais, economia colaborativa, gestão do conhecimento e inovação, com atendimento prestado a companhias e instituições como BMW Brasil, TAM Linhas Aéreas, MINI Brasil, Grupo Cruzeiro do Sul Educacional, Promobom Autopass, Grupo Protege, entre outras.

2 comentários:

Anônimo disse...

Cel.
Ao prezado Gil Giardelli.
Na educação sempre existiram dois lados. O lado que pretende transmitir, e o lado que pretende aprender alguma coisa.
O fato do lado que pretende transmitir conhecimento possuir ótima qualificação, não significa obrigatoriamente que o outro lado terá obrigatoriamente o conhecimento adquirido.
Aprender, é obrigatoriamente prerrogativa do educando, não do educador.
Mesmo na sistemática histórica antiqüíssima de um educador para um educando, nem sempre emergia um educando que pudesse seguir o exemplo do educador, para assim perpetuar o conhecimento. Mas, durante séculos, até mesmo nas civilizações conhecidas como anteriores à cristandade, o que existia era isso. Educador em contato com o educando. E o conhecimento foi sendo transmitido. Não se conhece estatisticamente qual o percentual dos que não conseguiram ser bons o suficiente para continuarem a transmitir o conhecimento.
No nosso mundo atual, dos nossos coleguinhas das escolas (desde o fundamental ao de quarto grau) que freqüentamos, quantos deram bons profissionais de cursos universitários? Quantos ficaram no meio do caminho?
Atualmente, com os meios eletrônicos, em que “aulas” são transmitidas em Power Point, e que são os únicos “conhecimentos” exigidos em provas, que profissionais teremos?
Obvio ululante que aqueles que tiverem acesso aos livros, e tiverem acesso às “atividades extra-curriculares” com bons profissionais (estágios), serão certamente melhores profissionais. Para a grande maioria, com conhecimentos tipo Power Point, serão pouco mais que medíocres.
Conclusão. Este tipo de “educação em massa” (democratização?) criará inevitavelmente elites e o “resto”. Claro está que a elite tentará perpetuar o status nos seus descendentes. Sempre foi assim, com raríssimas exceções, e o presidente de um grande banco brasileiro, é o exemplo típico dessa exceção.
Educação, não é somente querer ensinar, é sobretudo querer aprender.
Ensinar é uma coisa. Aprender é outra.

BRAGA disse...

Concordo plenamente com você, anônimo das 6:19 AM.
A interação presencial entre educador e educando é a ferramenta substantiva do processo. As ferramentas à distância também são válidas. Se vivemos em grupos (sociedade) é lógico que as interações ocorram. A missão do educador é gigantesca, pois além da desvalorização profissional, tem como inimigos as políticas "educacionais" espúrias, deletéreas e racistas desse desgoverno que só pensa em vinganças contra todos os valores que vigem há séculos.
O objetivo do educador é ser criativo e atualizado sempre, para que ao final do processo o ex-educando possa saber mais que o educador. Espero ter sido entendido.