quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bicicletas e Humanismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Baptista Herkenhoff

Andar de bicicleta lembra-me a infância em Cachoeiro de Itapemirim, cidade localizada no sul do Espírito Santo, a terra onde nasceu Rubem Braga, o cronista brasileiro cujo centenário está sendo comemorado. Ruas com calçamento de paralelepípedos, poucos carros, nenhum motorista correndo. Trânsito realmente humano, quase diria trânsito fraterno. A convivência entre carros e bicicletas era absolutamente tranquila. Não me recordo de um único atropelamento de ciclista, por carro, ou de pedestre, por ciclista.

A bicicleta é um transporte alternativo que deve ser valorizado, se pensamos em políticas públicas centradas em referenciais de humanismo.

Andar de bicicleta faz bem à saúde. A bicicleta reclama do ciclista postura correta, participação das pernas na pedalagem e dos braços no manejo do volante, além de respiração correta e atenção. O ciclismo oxigena o cérebro, constitui passatempo para o espírito, desenvolve a inteligência.

Em países adiantados e cultos, como a França, o ciclismo é um esporte que desfruta da adesão de altíssimo percentual da população. No Brasil, temos também cidades de ciclistas, como Joinville, em Santa Catarina.

Se praticado em grupo o ciclismo é, no caso dos jovens, um valioso instrumento de socialização e, no caso dos idosos, um remédio contra a solidão.

Embora tenha seu maior contingente de adeptos no seio da juventude, o ciclismo é largamente praticado por adultos. Pessoas mais velhas podem ter no ciclismo eficiente prevenção de doenças cerebrais e do coração.

O ciclismo não distingue sexos, seja entre os jovens – rapazes e moças, seja entre os mais velhos – senhoras e senhores.

Além dos benefícios que proporciona à saúde, a bicicleta é um transporte baratíssimo, pois não consome combustível.

Devido ao grande aumento do número de carros, a bicicleta exige hoje, nas cidades médias e grandes e também nas estradas, a construção de ciclovias. Elas garantem a segurança do ciclista evitando acidentes.

Temos de resistir ao modelo social que elege as metas simplesmente econômicas como as essenciais, fazendo do ser humano mero instrumento e produto da Economia.

A essa visão equivocada, que se funda numa deformação ética inaceitável, temos de opor a idéia de que o homem é o arquiteto e o destinatário da História.

Dentro dessa concepção, a construção de ciclovias acompanhará, necessariamente, a construção de rodovias e avenidas.

João Baptista Herkenhoff, 76 anos, magistrado aposentado, é palestrante Brasil afora e escritor. Autor do livro Curso de Direitos Humanos (Editora Santuário, Aparecida, SP). Homepage: www.jbherkenhoff.com.br - E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

Um comentário:

Marcos F disse...

Caro João Batista,
Belíssimo e curto aviso a todos os que não têm tempo para pensar em suas próprias vidas. Ciclismo é vida.
Sou um inveterado desde meus 12 anos quando meu pai teve dinheiro para comprar-me uma bicicleta (aliás uma belíssima, com marcha -3, em 1960). Fui corredor. Até hoje pedalo minha Barraforte '72.
Sou amante das ciclovias, mas também viagei muito em cidades da Europa que não as têm, e nem por isso, são desrespeitadas - ao contrário, ninguém as encosta. Ao contrário, aqui em São Paulo, ontem, um senhor com uma enorme Pajero Full, "entrou" com seu carro sobre minha bici, porque estava com pressa para encostar. Tinha a minha idade (65), mas ainda não aprendeu ... nada!