quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Parcialidade Escancarada


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja
Acabei de ler os dois volumes escritos por Elio Gaspari (“A Ditadura Envergonhada” e ”A Ditadura Escancarada”) nos quais ele se propôs reconstituir cerca de dez anos da História do Brasil, desde o governo João Goulart até o final da Guerrilha do Araguaia, em 1974. Analisou a área política dos governos militares, a chamada “repressão” e as esquerdas de todos os matizes, dando ênfase à esquerda armada dos “anos de chumbo”, conforme ele diz.
Valeu-se de arquivos pessoais de diversas personalidades, fundamentalmente dos arquivos do general Golbery e de seu secretário, capitão Heitor. Entrevistou dezenas de pessoas, da direita, do centro, da esquerda e da extrema esquerda. Quando da Revolução de março de 1964, Elio Gaspari, aluno da Faculdade Nacional de Filosofia, no Rio de Janeiro, era membro do PCB, conhecido como “Elio Parmegiani”.
Em seu livro, narra em detalhes a morte do estudante Edson Luiz, no restaurante do Calabouço, ocorrida em 27 de março de 1968. Detalhes tão precisos como se ele estivesse lá, assistindo a tudo. Não estava. Tanto não estava que escreveu que o fato ocorreu a “três quarteirões do hospital da Santa Casa”. Outra inverdade. Do restaurante ao hospital bastava atravessar a rua Santa Luzia. Eu estava lá e vi.
No entanto, na Faculdade Nacional de Filosofia, Rio de Janeiro, de onde era aluno, narra a morte, a tiro de revólver disparado por um seu colega, de um estudante da mesma Faculdade. E só. Por que Gaspari, um historiador, evita dizer o nome desse seu colega, de Faculdade e de partido, que disparou a arma? Esse é um segredo de polichinelo, embora jamais o autor da morte tenha sido processado por esse crime. Seu nome? Apenas as iniciais, pois não desejo prejudicá-lo, onde quer que esteja. Assim, aquilo que ele julga que ninguém sabe, ele vai saber que eu sei: ACFPP. Eu estava lá e vi.
Essa foi a primeira parcialidade encontrada em seus livros. Mas há outras, tão ou mais graves, pois distorcem a História ou evitam contá-la como ela foi. Na página 146 do segundo de seus livros escreveu que o Cônsul dos EUA em São Paulo, na segunda metade de 1968 dispunha de contatos que lhe permitiram estabelecer a conexão entre Marighela e os Dominicanos, mas que na cópia de um documento da época, liberada pelo Departamento de Estado dos EUA, “a identidade desse interlocutor está protegida por um trecho censurado que equivale a vinte batidas de telex”. Não acredito que o autor desconheça que essas vinte batidas de telex escondam o nome de Hans Rudolph Jacob Manz, terrorista da ALN treinado em Cuba e que usava os codinomes de “Flores”, “Juvêncio”, “Osvaldo” e “Suíço”
Escreveu ele nas fls 286 de “A Ditadura Envergonhada” que “por ordem do chefe do gabinete do Ministro da Aeronáutica - João Paulo Burnier -, três oficiais e oito graduados da 1ª Esquadrilha de Salvamento e Resgate da FAB, o Parasar, foram colocados sob o comando de um general, municiados com armas cuja numeração estava raspada, equipados com documentos falsos e enviados em trajes civis para patrulhas de ruas”.
Duas mentiras em um trecho de três linhas: o brigadeiro João Paulo Morira Burnier, quando desse episódio, não era, ainda, chefe do gabinete do Ministro da Aeronáutica (basta consultar os diários oficiais da época, o que seria muito mais fácil que destrinchar os quilos de papéis dos arquivos do general Golbery). Viria a sê-lo, algum tempo depois. E quem colocou os oficiais e graduados à disposição do general Ramiro Tavares foi o comandante da então Terceira Zona Aérea, ao qual o Parasar era subordinado para fins de emprego na Segurança Interna. Apenas operacionalmente subordinava-se à Diretoria de Rotas Aéreas.
Outra parcialidade escancarada, ou melhor, mentira escancarada, ainda sobre o mesmo assunto, está logo a seguir, na página 303. Escreveu ele que “baseado numa sindicância que Burnier mandara fazer, Souza e Mello saiu em sua defesa”. Mentira. Quem fez a sindicância citada foi o brigadeiro Sousa e Silva, chefe do gabinete do Ministro Souza e Mello. Burnier foi, sim, um dos objetos da sindicância. Eu estava lá e vi.
Elio Gaspari, que por várias vezes citou o site do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma) para respaldar algumas afirmações, ignorou a matéria “A Verdade sobre o Caso Parasar” que está lá, no Ternuma. Se não a tivesse ignorado saberia que o brigadeiro Burnier nunca teve atrás de si nenhum movimento político, nem a mídia e muito menos foi candidato a nada, o que não aconteceu com o capitão “Sérgio Macaco”, do Parasar, acolitado por políticos da esquerda do então MDB e da Frente Ampla, com toda a mídia a seu lado e, graças à notoriedade ganha com o escândalo por ele construído, eleito deputado federal.
Julgo que entre as funções mais nobres dos jornalistas e escritores estão as de investigar e procurar atingir a verdade antes de informar. Gaspari não fez isso. Limitou-se a transcrever versões parciais extraídas de notícias de jornais, bem como declarações de pessoas – inclusive militares – que “ouviram dizer”. Exemplos: ordens para explodir o Gasômetro e assassinar políticos. Isso em uma reunião, de portas abertas, do Brig Burnier com oficiais, cabos e soldados do Parasar! Eu estava lá e vi.
O jornalista, tão minucioso em seus relatos do 31 de março, como os tanques que saíram do Laranjeiras e vieram para o Guanabara, evitou dizer que quem organizou a defesa do Palácio Guanabara, onde se encontrava o governador Carlos Lacerda, foi o então major Burnier. Evitou fazer referência a tudo o que foi narrado sobre o Caso Parasar, minudentemente, pelo jornal “O Estado de São Paulo” nas edições de 5 de outubro de 1968 e 12 de março de 1978, relatos nunca, por ninguém, contestados. Em 5 de outubro de 1968, editorial escrito por Julio de Mesquita Filho, assinalava: “Estamos, portanto, diante de um novo episódio da campanha sub-reptícia que os derrotados de março de 1964 desenvolvem na área militar, para quebrar, primeiro a unidade de cada Arma e, depois, a união das três Forças Armadas”.
O jornalista ignorou também os despachos de três sucessivos ministros da Aeronáutica – publicados pela imprensa – aos requerimentos feitos pelo brigadeiro Burnier pedindo a instauração de um Conselho de Justificação para julgar seus atos à vista dessas acusações que lhe vinham sendo feitas por Sérgio Macaco, especialmente através da imprensa. Um desses três ministros proferiu, a respeito, em 19 de maio de 1980, um despacho concluindo que “as acusações relacionadas com o Caso Parasar eram inadmissíveis” e, ademais, contém o seguinte trecho, que transcrevo: “Oficial vibrante, de extrema dedicação à carreira, patriota sobejamente comprovado, de conduta digna, notável responsabilidade no cumprimento do dever e possuidor de elevado conceito entre superiores, pares e subordinados”. Esse é o conceito do brigadeiro Burnier junto a seus chefes, muito diferente do construído pela esquerda de então e aceito pelo "Elio Parmegiani".
Entre os diagnósticos de Julio Mesquita Filho e de três ministros de Estado e opiniões outras, encampadas irresponsavelmente pelo autor, fico com os fatos e não com as versões escancaradas da parcialidade. Finalmente, outra notória parcialidade está nas páginas 392 e 393, onde faz referência à “fase pistoleira dos terroristas”, alinhando os nomes de três militantes “justiçados” por seus próprios companheiros, alguns, como Marcio Leite Toledo, por terem ousado começar a pensar com a própria cabeça..
Não foram três – o que é mais uma parcialidade descarada -. Foram nove. Seus nomes estão lá, no site do Ternuma, tão citado por Gaspari: Geraldo Ferreira (Dissidência da Var-Palmares, em 29 de maio de 1970, no Rio), Ari Rocha Miranda (ALN, em 11 de junho de 1970, em São Paulo), Antonio Lourenço (Ação Popular, em fevereiro de 1971, no Maranhão), Carlos Alberto Maciel Cardoso (ALN, em 13 de janeiro de 1971, no Rio), Marcio Leite Toledo (ALN, em 23 de março de 1971, em São Paulo), Amaro Luiz de Carvalho (PCR, em 22 de agosto de 1971, em Pernambuco), Francisco Jacques Moreira de Alvarenga (Resistência Armada Nacionalista, em 28 de junho de 1973, no Rio; assassinado pela ALN), Salatiel Teixeira Rolins (PCBR, em 22 de julho de 1973, no Rio), Rosalino Cruz Souza (“Mundico”), e “Paulo”, não identificado, respectivamente em agosto e setembro de 1973 (ambos do PC do B, durante a Guerrilha do Araguaia, por terem demonstrado o desejo de abandoná-la). ’Mundico” foi assassinado por Dinalva da Conceição Oliveira Teixeira (“Dina”), transformada em quase heroína pelo jornalista. Fico por aqui.
É ou não uma Parcialidade Escancarada?

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

6 comentários:

Ronald disse...

Sempre tive nojo desse bandido travestido de jornalista.

Não passa de mais um corruPTo safado que merecia ter sido aniquilado nos porões da OBAN ou do DOI-CODI.

Gaspari integra a escumalha !

Anônimo disse...

Caro Historiador

Escreve um Livro contando a outra parte da Historia.
è Simples.

Politica sem Medo disse...

Nao passa de um militante que tenta mudar a historia verdadeira para puxar o saco dos seus falsos "herois", bandidos violentos e que estao com o poder nas maos. Infelizmente sempre teremos esses falsos jornalistas falando mentiras. Ele diz que contou a outra parte da hitoria e nao acrescentou os nomes de todos os membros do seu proprio movimento assassinados por esses terroristas quando tentaram deixar os seus grupos, viu Anonimo das 3:07 PM. Tm um anonimo me xingando todo dia no meu blog, nao e voce nao?

Anônimo disse...

As forças armadas do nosso pais deveriam voltar mas desta vez para eliminar de vez todos os vermelhos, esses partidos adoradores dos vermelhos. Temos uma câmara dos deputados feita de laranjas, dinheiro nas cuecas, um senado, dinheiro nas cuecas, um supremo federal, salvo honrosas excessoes e um supremo eleitoral contaminado por esses vermelhos nojentos. Esses mesmos vermelhos da comissão da inverdade o que querem? Roubar o pais. E isso eles vem fazendo dia e noite. Enquanto o brasileiro não acordar e não verificar que essa classe politica e podre e que o que esta fazendo e distribuir o dinheiro de quem se mata de trabalhar para garantir sua subsistência para beneficiar malandros que não trabalham. Bolsa isso, bolsa aquilo, bolsa aquilo outro. Basta forunfar que já terá direito a bolsa para poder ficar em casa sem fazer nada. O Estado não tem que garantir vagabundagem para ninguém nem para cidadãos nem para políticos. O estado tem que ensinar e ajudar o cidadão a trabalhar. Ate nas prisões eles deveriam trabalhar e começar a juntar dinheiro para quando fossem soltos. O que o brasil esta fazendo e aumentar a miséria de seu povo. Nem ajuda os malandros porque não são uteis a sociedade e nem ajuda os que trabalham porque não tem direito a nada. Somos os melhores em que com os vermelhos? Somos iguais a cuba, argentina, da viúva louca, da colombia e por ai vai. Estamos nos juntando aos miseráveis porisso não evoluímos, e suas excelências que não nos representam estão cada vez mais ricos. Dinheiro nas cuecas. Trabalhem e paguem para os vermelhos desperdiçarem.

Anônimo disse...

nem sei pq o flipboard me trouxe aqui... quanta baboseira e repugnância agrupadas, socorro! vcs se merecem... e esse app não vale nada mesmo...

Luiza Lobo disse...

Minha mãe, falecida em 2011, e já doente então, solicitou que eu escrevesse uma carta de desagrado em relação à pessoa dela, que enviei à editora do livro A ditadura envergonhada deste jornalista Helio Gaspari. Nunca recebemos resposta. Ela é chamada de burguesa, sem mais nem por que. Como o sr. Helio Gaspari morasse num casebre... ela foi presa na ditadura, foi incursa no AI-5, teve de trabalhar no exterior por dez anos, foi proibida de ter projeto ou emprego com qualquer verba governamental ditatorial, dedicou-se à tradução simultânea, ao voltar ao Brasil, até ser reintegrada. E foi convidada para trabalhar na UFF, além de ser reintegrada na UFRJ - no IFCS, no curso de História, onde coordenou a pós e montou a biblioteca da instituição, ao lado de Manoel Maurício e outros "burgueses". Seu nome: Eulalia Maria Lahmeyer Lobo. Por ela mando um recado aos esquerdista: o que não forem burgueses levantem a mão.

Sua filha - Luiza Lobo.