quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Getúlio Vargas e a Independência


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Adriano Benayon

Aproxima-se o 60º aniversário do golpe de Estado com o  qual a oligarquia angloamericana derrubou o presidente Vargas, em 24 de agosto de 1954.

Esse acontecimento teve efeitos tão desastrosos como importantes. Trata-se, nada menos, que da cassação da independência do Brasil.

A soberania do País nunca foi plenamente exercida, mas, se houve governante que tomou iniciativas para alcançá-la, esse foi Getúlio Vargas.

Exatamente por isso, a oligarquia imperial angloamericana sempre conspirou contra ele, com a ajuda de pseudo-elites e de agentes locais da política e da mídia, amiúde recrutados por meio de corrupção.

Em 1932, a oligarquia paulista promovera o fracassado movimento de 9 de julho, movida pelos interesses britânicos. Intitularam-no constitucionalista, conquanto Getúlio organizara as eleições para a Constituinte que votou a Constituição de 1934, a qual instituiu significativos avanços econômicos e sociais.

Tão profunda como a estima dos verdadeiros industriais e a veneração dos trabalhadores brasileiros a Getúlio, foi a ojeriza da minoria desorientada pelos preconceitos da “democracia” liberal e dos contrários à industrialização, alimentada pela hostilidade da mídia,  caluniosa e falsificadora dos fatos.

Vargas fora forçado, durante a Segunda Guerra Mundial,  a ceder bases militares no Nordeste aos EUA, e cometeu o erro de insistir em enviar a Força Expedicionária Brasileira à Itália. A FEB foi equipada e armada pelos EUA e combateu sob comando norte-americano.

Daí se criaram laços entre os comandantes e oficiais de ligação estadunidenses e os oficiais brasileiros que conspiraram nos quatro golpes pró-EUA (1945, 1954, 1961 e 1964.

Em outubro de 1945, o pretexto foi derrubar um ditador, o que não tinha sentido, pois o presidente viabilizara eleições, já marcadas para o início de dezembro,  e não era candidato. Após o golpe, recomendou votar no marechal Dutra, pois o brigadeiro Eduardo Gomes representava os que sempre se haviam oposto a Vargas.

Quando Vargas,  eleito em 1950, voltou à presidência, nos braços do povo, já estava em marcha a desestabilização de seu governo, a qual culminou com o crime da rua Toneleros, já em agosto de 1954.

O crime foi dirigido  pelo chefe da delegacia de ordem política e social (DOPS), famosa por seus métodos desumanos de repressão aos comunistas, desde a época do Estado Novo, instituído por golpe militar, em 1937.

Esse golpe proveio de oficiais do exército, que colocaram Felinto Muller na chefia da polícia.  Vargas, presidente constitucional desde 1934,  permaneceu à frente do governo, mas não teve poder e/ou vontade suficiente para  limitar significativamente as violências.

Ele sempre foi contemporizador, negociava com pessoas de diferentes tendências e, por vezes,  as colocava ou mantinha no governo. Ao voltar Vargas, em 1951, continuou na DOPS o filonazista Cecil Borer,  que vinha da administração do marechal Dutra. Como tantos pró-nazistas, mundo afora, movido pelo anticomunismo, Dutra subordinou-se aos interesses dos EUA.

Apesar de seus erros, Vargas merece lugar de honra na história do Brasil, por ter dado o indispensável apoio do Estado ao desenvolvimento industrial, que despontava desde o início do século XX e ganhou força, de 1914 a 1945, graças também à redução dos vínculos comerciais e financeiros com os centros mundiais, propiciada pelas duas guerras e a longa depressão dos anos 30.

Antes do fim da Segunda  Guerra Mundial, o império já planejava fazer abortar esse processo. Mais tarde, diria o notório Henry Kissinger: “para os EUA seria intolerável o surgimento de uma nova potência industrial no hemisfério sul.”

Os serviços secretos dos EUA e do Reino Unido vinham, de há muito, operando na desestabilização do presidente. Em 1954, Borer envolveu informantes da polícia e pistoleiros no crime da Toneleros, que matou o major Vaz, da aeronáutica, simulando que o alvo seria o  virulento adversário de Vargas, Carlos Lacerda. 

Na armação policial-jornalistica-militar, Vaz, casado e pai de filhos pequenos, substituiu, na ocasião, o solteiro major Gustavo Borges. Lacerda engessou o pé dizendo ter tomado um tiro de revólver,  mas, se isso fosse verdade, o pé teria sido destroçado.  Nunca se encontrou um prontuário de atendimento em hospital.

A conspiração enredou a guarda pessoal do presidente e o fiel guarda-costas Gregório Fortunato, que foi torturado e ameaçado para confessar o que não fez. Condenado a 15 anos de detenção, foi assassinado na prisão, em operação de queima de arquivo.

O golpe de 1954 é o maior marco negativo da história do Brasil,  pois o governo udenista-militar, dele egresso, criou vantagens incríveis para as empresas transnacionais dominarem por completo a produção industrial do País. Fez os brasileiros pagar caríssimo para serem explorados.

Foi, assim,  inviabilizado o desenvolvimento de tecnologias nacionais, a não ser por grandes empresas estatais ou apenas em nichos menores, no caso de indústrias privadas  nacionais, ainda assim, fadadas a ser desnacionalizadas.
Tanto o golpe de 1964, que instituiu os governos militares, como a falsa democratização, a partir de 1985, intensificaram as políticas pró-capital estrangeiro em detrimento do País. 

Os governos de 1954-1955 e 1956-1960 (JK) foram motores da desnacionalização da economia. Os de Collor e FHC os mais monoliticamente entreguistas. Nenhum operou reversões nessa marcha infeliz.

A herança hoje é a desindustrialização e a colossal dívida pública, tendo a União já  gastado nela, desde 1988, quase 20 trilhões de reais. Além disso, recorrentes crises devidas aos déficits de comércio exterior.

As  realizações do presidente Vargas fazem dele o principal herói nacional e exemplo para futuros líderes. Mas não sem reservas, porque  lhe faltou combatividade e espírito revolucionário.

Não me parece verdade que o nobre sacrifício de sua vida tenha frustrado os objetivos dos imperialistas. Preservaram-se as estatais, mas a própria Petrobrás - que já nascera sem o monopólio na distribuição, o segmento mais lucrativo – acabou, em parte, arrancada da propriedade estatal. Além disso, nos anos 90, ocorreram as doações-privatizações de dezenas de fabulosas estatais, algumas  criadas durante governos militares.

A grande derrota estratégica deu-se com a entrega dos mercados e da produção industrial privada às transnacionais. Sem isso, a dívida externa não teria explodido em 1982, nem sido torradas as estatais, a pretexto de liquidar  dívidas públicas, as quais, depois disso, ao contrário, se avolumaram como nunca.

O momento para evitar esse lastimável destino, era com Vargas,  amado pelo povo, que foi às ruas, em massa nunca vista, pronto a tudo, quando de sua morte. Aí não havia liderança, nem plano.

Getúlio precisava ter cortado, no nascedouro, os lances que minaram suas bases de poder.  Entre estes, o acordo militar Brasil-Estados Unidos, de 1952, negociado por Neves da Fontoura, ministro das Relações Exteriores, e por  Góes Monteiro, chefe do Estado-Maior das FFAA,  sem o conhecimento do ministro do Exército, Estillac Leal.

Este se demitiu, pois Vargas assinou o acordo, e, com isso, cedeu aos que, mais uma vez, o traíam, e perdeu seu ministro nacionalista.

Fraquejou novamente em 1953, quando, embora mantendo o correto reajuste do salário mínimo, demitiu João Goulart do ministério do Trabalho, medida exigida em memorial assinado por 82 coroneis do Exército. Nesse episódio, caiu o ministro do Exército, Cyro do Espírito Santo Cardoso.

Não era tarefa simples sustentar-se sob constante e intensa pressão contrária da alta finança angloamericana, a qual não economiza recursos nem hesita em recorrer à corrupção e a práticas celeradas. Entretanto, a pior maneira de reagir a essa pressão é fazer concessões, em vez de cortar a crista dos golpistas.

Deixando de coibir aquelas práticas,  Vargas facilitou o caminho dos inimigos. Sobraram-lhe escrúpulos, ao exagerar em sua tolerância, para não ser acoimado de ditador. Faltaram bons serviços de inteligência e  a compreensão de que seria derrotado, se não mobilizasse o povo e  a oficialidade nacionalista.

Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

11 comentários:

Loumari disse...


Os big bosses da consórcio nunca fazem trato com militares.

Se observa que alguns dos cidadãos brasileiros apelam pela intervenção militar? Esta gente não deve esquecer de que o Brasil tem uma constituição. Apelar por uma intervenção das FFAA como alternativa política é totalmente absurdo e ato contra a constituição do Brasil. Não se deve esquecer que as FFAA prestaram sermão sobre esta mesma constituição e prometeram servi-a, honra-la, defender-a com sua própria vida. Agora, o que se ouve de certa parte da população brasileira, se deduz como gentes que incitam a um filho a violar sua própria mãe.

Agora vejamos a situação do ângulo institucional: Se as FFAA interver, será interpretado como um golpe de estado. E se isto eles fizerem, em menos de 24 horas a comunidade internacional dirigido pelo conselho de seguridade das Nações Unidas, vão decretar um embargo total e sem condições contra o Brasil. Consequências: suspensão das importações e exportações, suspensão de todas transacções financeiras com o Brasil, e suspensão de todos voos com destino ao Brasil. E vão impôr por ordem aos Militares de devolver o poder as autoridades civis e sem condições. E estes militares serão forçados a entregar a gestão do país as autoridades civis. E logo asseguir vão desembarcar no Brasil os agentes da INTERPOL, para arrestar todos os militares que deram origem ao golpe de estado e serão algemados e presos como criminosos e conduzidos todos para a CORTE PENAL INTERNACIONAL como criminosos tendo havido violado a constituição. E, violação a constituição é passível de pena perpétua.

E o povo brasileiro que impeliu a estes militares ao golpe de estado só lhes restará os seus olhos para brotar lágrimas de sangue, porque o único que terão logrado com esta ação será ter reforçado ao atual poder executivo a tornar-se mais repreensivo e autoritário.

Olha que o Ancião CEL CESAR PINTO tem excelente alternativa. FOLLOW HIM. HE KNOWS THE RIGHT WAY.

Anônimo disse...

Loumari eu não acredito em embargo. O maior mercado consumidor dos EUA é o Brasil.
Houve embargo em Egito e Tailândia?
Porem, na minha humilde opinião o povo deve seguir seu destino. Se intervenção resolvesse os problemas nos seriamos um exemplo de país. Chegou a hora do povo arcar com as consequências de suas escolhas.
Eu só não acho justo os bons pagarem pelos maus.
Mas , penso que o tempo dessas intervenções deve acabar.
O problema que vem ocorrendo é o ataque à essas instituições, isso é grave. É péssimo pra nação, assim como o aparelhamento.
Agora eu vos pergunto como é que a MArina ira governar o Brasil? Sem base nem apoio? Através de decreto? Ou através do auto golpe?

Loumari disse...

senhor anônimo de 11:04 o Egipto e Tailândia são naçoes islâmicas.



Segundo a sua dita humilde opinião, o que conduziu Hugo Chavez ao fracasso? E aquilo favoreceu ao contra-bando. Os militares são os que detém todas as exploraçoes petroleiras, que detém todas industrias e tudo o que eles produzem é para eles e o regime dos chavistas, e o resto é vendido no mercado paralelo. E o petroleo de Venezuela é vendido atravéz de intermediarios panamenhos e abastecem os Estados Unidos. E este petroleo serve ao mercado americano e declarado como produto americano.

Querem golpe estado no Brasil? Façam-o e verão quais serão as consequências.

Querem cometer os mesmos erros que Venezuela? E antes de Venezuela Cuba???

Anônimo disse...

"Em 1932, a oligarquia paulista promovera o fracassado movimento de 9 de julho, movida pelos interesses britânicos. Intitularam-no constitucionalista, conquanto Getúlio organizara as eleições para a Constituinte que votou a Constituição de 1934, a qual instituiu significativos avanços econômicos e sociais."

Caro analista, saiba que o moveu a revolução de 32 (que emanou do povo), foi um golpe movido pelo Sr. Getúlio Vargas. Até então a republica café com leite, fazia seu jogo mas o estado era federalista (mesmo com todos os defeitos - corrupção e eleições fraudulentas), após o mesmo o estado centralizou-se e após o término da revolução ele próprio agradeceu aos paulistas por ter ser livrado do julgo tenentista. Na sua retórica, vale então dizer que ele estava na matrix e que para livrar-se dela, fez, inclusive com o erros (do estado novo), do inconsciente tentando acertar. Mas a longo e no curto prazo, se caso em 1930 ele tivesse sinalizado para o estado descentralizado (federalista pleno), hoje estaríamos vivendo outra história.

Marcos Jorge.

Anônimo disse...

"Em 1932, a oligarquia paulista promovera o fracassado movimento de 9 de julho, movida pelos interesses britânicos. Intitularam-no constitucionalista, conquanto Getúlio organizara as eleições para a Constituinte que votou a Constituição de 1934, a qual instituiu significativos avanços econômicos e sociais."

Caro analista, saiba que o moveu a revolução de 32 (que emanou do povo), foi um golpe movido pelo Sr. Getúlio Vargas. Até então a republica café com leite, fazia seu jogo mas o estado era federalista (mesmo com todos os defeitos - corrupção e eleições fraudulentas), após o mesmo o estado centralizou-se e após o término da revolução ele próprio agradeceu aos paulistas por ter ser livrado do julgo tenentista. Na sua retórica, vale então dizer que ele estava na matrix e que para livrar-se dela, fez, inclusive com o erros (do estado novo), do inconsciente tentando acertar. Mas a longo e no curto prazo, se caso em 1930 ele tivesse sinalizado para o estado descentralizado (federalista pleno), hoje estaríamos vivendo outra história.

Marcos Jorge.

Anônimo disse...

Sr benayon, papel aceita tudo, ate manipular a história como o fez.o senhor é só mais um esquerdinha fácil, neste país de tantos.Quanto ao sr Loumani,rolei no chão de tanto rir da teoria da intervençaõ ultra nacionalista aqui.assim houvesse,quem sabe o pais ficaria melhor sem ladrões que pululam como pulgas aqui. Mauro

O Libertário disse...

Por que será que nós nunca assumimos a responsabilidade pelo nosso fracasso preferindo sempre colocar a culpa nos malvados “estadunidenses”? A colonização do Brasil começou, pra valer, em 1549 com a chegada de Tomé de Souza. “Para cumprir sua missão, o primeiro governador-geral do Brasil veio preparado. Sua armada reunia três naus (Salvador, Conceição e Ajuda), duas caravelas (Leoa e Rainha), um bergantim (São Roque) e duas outras naus de comércio, que deveriam voltar cheias de pau-brasil. Embarcadas, estima-se de 500 a mil pessoas, entre 130 soldados, 90 marinheiros, 70 profissionais (carpinteiros, ferreiros, serradores etc.), funcionários públicos, jesuítas comandados por Manuel da Nóbrega, 500 degredados e outros peões para o trabalho pesado.” Já a colonização dos Estados Unidos pode-se dizer que começou, pra valer, em 1620 com a chegada dos 120 peregrinos do May Flower. Vejam a diferença de recursos humanos e materiais, sem falar no aparato organizacional, das duas situações. Vejam quanto tempo antecedeu a colonização brasileira à americana. Mesmo assim a culpa do nosso atraso é “dus homi” e não da nossa desídia. Faça-me o favor.

Anônimo disse...

Sr. LOUMARI, eu sou apenas um cidadão. Não tenho nada haver com militar. Apenas leio, observo e procuro tirar conclusões.
Agora me responda, como a Marina ira governar? Sem base, apoio? Vai governar através de decreto, via conselhos populares, aquele que já esta à mesa para ser aprovado? Sendo assim não há mais necessidade de eleger deputados e vereadores.
Isso sim é GOLPE.
MAS TUDO ISSO SÃO ESPECULAÇÕES, apenas uma questão de opinião. NENHUMA DITADURA É BOA.
Quem sou eu pra articular um golpe? Nem dinheiro eu tenho... Estamos apenas discutindo o que é saudável para as ideias.

Anônimo disse...

Acho que esqueceram de apresentar o histórico da família Vargas em assassinatos políticos.
O sujeito era um fascista....

Anônimo disse...

Getulio saiu da vida para e trar no i ferno. E ja foi tarde.

Loumari disse...

Anônimo de 5:30 PM

A sua doce Marina está como um Hipocampo no oceano cheio de tubarões. E já devoraram um.