sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Voto nulo aliado do PT

Vote certo, mas com cuidado
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Helio Duque
Nas eleições gerais de 2010, qualificaram-se 135 milhões de homens e mulheres com direito ao voto. No segundo turno da eleição presidencial, Dilma Rousseff foi a candidata vencedora com 54% dos votos válidos. O oposicionista José Serra ficou com 44% dos votos válidos. Chama a atenção o fato de 36% dos qualificados a votar optaram pela abstenção ou voto nulo e branco. Numero elevadíssivo. Resta indagar: seria desencanto, protesto ou renúncia à cidadania por descrença nos atores políticos.

Para as eleições de 2014, diferentes pesquisas vem mostrando que o fenômeno do voto nulo, branco e abstenção pode se repetir. Chama a atenção ser majoritariamente uma opção dos segmentos da população de maior renda e nível educacional médio e superior. Opera como determinante aglutinadora, a chamada antipolítica. De acordo com os seus pregadores seria uma intervenção cívica contra o poder, objetivando limitar o raio de ação governamental pela pressão ética dos cidadãos, enfrentando o mandonismo político partidário. A pregação da antipolítica e antipartidos vem alargando as suas fronteiras no Brasil.

Infelizmente a quase totalidade dos partidos brasileiros não abriga correntes de pensamento político. São instrumentos de barganha patrimonial, negociando a adesão sem pudor aos governos de plantão em nome da governabilidade. Ante essa realidade, a sociedade civil comete equívoco mortal, do se considerar baluarte da virtude diante de um Estado corrupto e clientelista. Ao enquadrar unilateralmente a corrupção estatal, ignoram que a sua causa determinante são os corruptores, na sua totalidade figuras preeminentes da chamada sociedade civil.

No Brasil dos dias atuais o voto nulo, branco o abstenção representa um formidável aliado dos governos de plantão. Com a agravante de ser uma plataforma política dos segmentos mais esclarecidos e bem informados. Exatamente aqueles que aos olhos da nação integram a opinião pública independente e crítica. Ao fazer a escolha de anular o voto expressam forte convicção de discordar das políticas públicas executadas pelos governos. Paradoxalmente pela atitude assumida, tornam-se aliados de quem exerce a administração pública em todos os níveis. No caso da República, a administração Dilma Rousseff deveria incluir no seu programa de governo forte apoio aos defensores do voto nulo, branco e abstenção. Em 2010 foi fundamenta para a sua eleição.

Por fim, quando parte da opinião pública esclarecida passa a acreditar que não precisa da política, relembremos Aristóteles. Na antiga Grécia, ele conceituava o homem como animal político, onde a ética pública não pode ser diferente da ética pessoal. A falta de espírito republicano no Brasil vem sendo o principal foco alimentador do desencanto de parcelas respeitáveis da opinião pública. Republicanizar a política será um caminho longo a se perseguir, prestigiando homens públicos íntegros e decentes, que são muitos, na imperativa missão de aperfeiçoamento do nosso futuro democrático.

No seu livro clássico “Origens do Totalitarismo”, Hannah Arendt, das maiores pensadoras do século XX, ensina: “A política, assim aprendemos, é algo como uma necessidade imperiosa para a vida humana e, na verdade, tanto para a vida do indivíduo, maior para a sociedade. Tarefa e objetivo da política é a garantia da vida no sentido mais amplo”. Vale dizer, mesmo deteriorada entre nós, a participação política é fundamental na vida da população.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

6 comentários:

Loumari disse...

A política devia ser exercitado como o sacerdócio. Objectivo, servir a nação e ao povo. Mas lamentavelmente os que se dizem políticos hoje na Africa e na America Latina são lobos disfarçados em anjos de luz. São voraces da pior espécie. Fazem da política uma ciência cuja base é a mentira, o engano, a manipulação psicológica, usam como estratagema a chantagem para intimidar a população e semear o medo e, com isso tomar posse das vidas desta mesma população e dominar sobre eles. Mas, se a este mesmo povo lhe ocorresse pensar que ele é que detém o poder verdadeiro e não a política? E dizer-se que não são os políticos que definem o destino de um país sem que lhes seja dado autoridade pelo povo para lhes representar? A Bélgica fez uma experiência inédito de existir por mais de um ano sem governo, e o resultado foi invejável. Por que? porque cada belga se fez ele mesmo instituição a fazer aplicar a disciplina, e as normas e regras respeitadas ao pé da letra. E cada belga um elemento na corrente que constitui a sociedade que é sua.

Brasil tem bases institucionais, é só o povo se basear nelas e aplicá-las ao pé da letra. Brasileiro, mostra-te responsável e seja mestre de teu próprio destino. Há uma canção latina que cujas palavras são: Caminante no hay camino, se hace el camino al caminar.

E a Bíblia ela diz assim:

"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés, e, voltando-se, vos despedacem. (MATEUS 7:6)

Martim Berto Fuchs disse...

"Infelizmente a quase totalidade dos partidos brasileiros não abriga correntes de pensamento político. São instrumentos de barganha patrimonial, negociando a adesão sem pudor aos governos de plantão em nome da governabilidade."

Infelizmente a totalidade dos partidos brasileiros são organizações criminosas, sem nenhum outro objetivo que não seja o poder pelo poder e enriquecimento ilícito de seus integrantes.

http://capitalismo-social.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Quem escolhe os candidatos não são os eleitores, e sim os partidos (O povo é OBRIGADO a aceitar quem eles escolhem). Senão, o Bolsonaro teria sido apresentado como candidato à presidência da República (pedido de milhares de pessoas não faltou); no entanto, o partido não cedeu. Agora... não querer escolher entre bandido e bandido é "renúncia à cidadania"? Votar sem candidato que preste vai ajudar o país em alguma coisa? O que adianta votar no gatuno para evitar que o ladrão ganhe? Dizer que deixar de votar ou votar nulo é "renúncia à cidadania", isso é conversa de candidato preocupado, com medo de perder na eleição.

Robson de Oliveira disse...

Respeito e até compreendo os argumentos contrários aos meus.
Mas não abro mão do meu eterno voto-nulo enquanto nesse país não existir o voto-facultativo.
Sou anti-petista assumido, mas também desprezo a classe política como um todo nos moldes em que se encontra.
Não vou abandonar uma convicção e um protesto só para arrancar do poder um mal para introduzir um mal menor.
Eu, o Brasil, e o povo brasileiro devem ser maiores do que isso.
abçs
Robson

Éder Rocha Rodrigues disse...

Seria interessante salientar que o voto EM BRANCO sim é aliado do PT; o voto nulo, pelo contrário, não é.
Se a maioria optar pela anulação do voto, novas eleições deverão ser realizadas, obrigatoriamente com CANDIDATOS DIFERENTES da primeira eleição.
Acredito ainda que a não obrigatoriedade do voto seria uma solução para a melhoria do nível de qualidade do eleitorado.

André disse...

Concordo com o Robson sobre o voto nulo em protesto para a liberdade de escolha democrática. Democracia não é obrigatoriedade! Porém acredito que não é o PT que é ruim, e sim, os políticos do Brasil e suas promessas falsas (Saúde, Educação, Emprego, etc.) são obrigações para a população e não objeto de barganha. Além de perder meu direito a facultar o meu voto, não tenho motivação e tão pouco confiança nos políticos atuais. Queremos uma política séria, com fiscalização e punição aos que infringem a legislação. Não espero milagre, só Ordem e Progresso.