domingo, 29 de março de 2015

Carta de um eleitor à Presidente


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Manoel Ribeiro

Senhora Presidente: A senhora provavelmente jamais irá ler está mensagem enviada por meio de rede social. Começo por esclarecer que sempre situei-me ideologicamente na esquerda e votei na senhora; é verdade que votei muito mais em um programa político de inclusão social do que na candidata. O único senão é que sou elite, como a senhora o é e os seus ministros e dirigentes do PT o são. Portanto um pecado venial.

A Presidente – desculpe-me, mas não consigo falar ou escrever Presidenta (coisas talvez de uma educação elitizada) – sempre teve um temperamento forte e no seu primeiro governo quem mandava era a senhora. Para o bem e para o mal. Eleita para um segundo mandato por uma diferença pequena, mas que não tira a legitimidade da eleição, a senhora até hoje não conseguiu tomar posse do seu cargo. Perdão, mas a Presidente parece um zumbi andando a esmo pela república.

Perdeu a eleição para a Presidência da Câmara, fazendo emergir o Deputado Eduardo Cunha que, na prática, é quem manda no país, pelo menos no Executivo e Legislativo. Até seu líder na Câmara ele demitiu. Faz o que quer, fala mal do seu governo e a senhora, com seu temperamento belicoso, ainda pede desculpas.

Não sei se a Presidente sabia ou não do chamado “petróleo”, porém, se sabia, ainda não há indícios efetivos. Ao contrário do Primeiro-Ministro Dep. Eduardo Cunha que o STF autorizou a abertura de inquérito certamente por haver claros indícios de ter sido beneficiado pelo esquema. E ainda assim, a senhora assume a chefia de estado envergonhada e deixa que ele, com toda a imodéstia, assuma a chefia do governo e o transfira para o Congresso. Para ele e para o PMDB a senhora só será Presidente – apenas chefe de Estado – até o dia que quiserem e, por isso, exigem a pusilanimidade do seu governo. É possível que estejam certos.

Para o ajuste fiscal a senhora cedeu e escolheu um economista brilhante, Dr. Levy, da escola de Chicago. Sim Presidente, a escola que comandou com sucesso a economia na feroz ditadura de Pinochet e que deu certo exatamente por este motivo: ninguém era louco de protestar. Hoje Levy, que não tem compromissos com a senhora, é chamado de andorinha do Planalto para fazer sozinho o verão. Talvez só consiga, despachando direto com o Primeiro-Ministro Eduardo Cunha e com a oposição. Viu? A senhora não é chefe de governo.

Neste quadro, a popularidade do seu governo é insustentável. A senhora viu na pesquisa do Datafolha. A base popular do seu partido já a isolou e hoje protesta contra o seu governo. O Senador Renan, outro da lista de Janot, não atende telefonema da senhora que é a Presidente da República. A senhora é uma refém sangrando (no dizer da oposição) e recebendo pequenas transfusões para ficar viva e continuar sangrando.

Humildemente, como simples cidadão, vejo três alternativas. A renúncia como Jânio Quadros. O suicídio como Getúlio Vargas. Ou recuperar os seus dentes e assumir o seu mandato, se tiver condições objetivas para tal. Cid Gomes, que não é maluco e nem bobo, não acreditou na hipótese da senhora recuperar o mandato e criou as condições para a saída honrosa e combativa do seu ministério aproveitando a fama de temperamental.

Não Presidente, não quero o ato extremo do suicídio que é uma renúncia muito radical. Renuncie apenas ao seu mandato, negociando com Temer a dupla renúncia para podermos ter uma nova eleição ou, melhor ainda, a aprovação de uma emenda constitucional ao Ato das Disposições Transitórias permitindo a convocação imediata de eleições gerais para a área federal (executivo e legislativo). Pelo amor à pátria.

Meus respeitos. Atenciosamente,


Manoel Ribeiro, ex-executivo da empreiteira OAS, é irmão do falecido imortal baiano João Ubaldo Ribeiro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Uma nova eleição sem cartas marcadas - auditável, transparente, com comprovante em papel.
Renuncia logo, Dilma.
Para de travar este país...

Anônimo disse...

A loba se retirou aguardando a terceira dentasao