domingo, 29 de março de 2015

Operação Condor na União Européia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Em 1926, as Esquerdas de todos os matizes constituíram Brigadas Internacionais e foram para a Espanha dar apoio aos camaradas de Stalin na luta contra Franco.

Para a Esquerda, as nações nunca tiveram fronteiras. Em 1935, uma alemã, pertencente ao Exército Vermelho Soviético foi enviada ao Brasil, para coordenar a revolução, pelo Komintern (Koommunistischen Internationale), definido como Estado-Maior Ideológico e Político da Revolução Mundial. Ela estava assessorada por 21 apparatichiks belgas, alemães, franceses, argentinos e até norte-americanos.

Depois, a partir de 1959, toda a Esquerda deu apoio de mídia aos camaradas Fidel e Guevara, que instalaram em Cuba uma ditadura que perdura até hoje. A mais longa já existente no continente americano.
Nos anos 60 e 70, no Brasil, com camaradas treinados em Cuba, na China, na União Soviética e na Argélia, essa mesma Esquerda tentou reeditar a Intentona de 1935.

Escorraçados pelas Forças Armadas, esses camaradas migraram para o Uruguai, e depois para o Chile, a fim de construirem o socialismo. Derrotados também nesses países, alguns dirigiram-se para Portugal, atraídos pela Revolução dos Cravos, e depois para a Nicarágua, onde igualmente a derrota também os esperava.

Financiadas por Cuba, pela União Soviética, pela China, pela Argélia e por países da Europa Oriental, as Esquerdas migravam de um para outro país, na ânsia de fazer a revolução. Percorreram os continentes, receberam doutrinação e treinamento militar  em diversos idiomas.A luta não tinha  fronteiras.

Quem diz isso são eles próprios, que hoje escrevem  suas memórias.
O resultado dessa aventura tresloucada e irresponsável foi uma montanha de mortos. Cerca de 500 mil somente na América Latina.

Hoje, parte da mídia, revanchistas nativos e de diversos outros países, especialmente dos EUA e da Europa, condenam aquilo que denominam Operação Condor, uma forma de agir, em legítima defesa, dos Órgãos de Inteligência dos países agredidos da América Latina contra a ameaça materializada em organismos continentais denominados Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) , nos anos 60, e depois Junta de Coordenação Revolucionária (JCR), nos anos 70.

Os que viveram aqueles anos de chumbo, de mudanças e de contestações, quando se propalava que era “proibido proibir", que o capitalismo estava com os dias contados, e que as revoluções, segundo o modelo exportado por Cuba, eram iminentes, conhecem bem essa história. Tudo isso já foi escrito, mas deve ser recordado a propósito do que ocorre nos dias atuais.

É certo que o terrorismo deve ser combatido com todos os meios – até mesmo os legais -, e deve ficar claro que quando existe uma ameaça terrorista de caráter internacional os Órgãos de Inteligência e de Segurança dos países ameaçados se coordenam. Sempre foi e continuará sendo assim.

A propósito, recordamos um telegrama divulgado em 21 de novembro de 1998, pela agência de notícias France-Press : "O Presidente francês Jacques Chirac e  o Primeiro-Ministro  Lionel Jospin, confirmaram ao Chefe de Governo espanhol, José Maria Aznar, a adesão de França à luta antiterrorista na Espanha, ao ser concluída, ontem, a reunião de cúpula França-Espanha, em La Rochelle". Assim, os dois países passaram a coordenar seus Órgãos de Inteligência para combater o grupo terrorista espanhol Eta-Basca. Nada mais nada menos do que foi feito nos anos 70 na América Latina

Posteriormente, em 2001, após os atentados terroristas perpetrados contra os EUA, os Órgãos de Inteligência daquele país passaram a monitorar os cidadãos: foram autorizados a interceptar comunicações telefônicas, sem ordem judicial; a ouvir conversas entre advogados e pessoas detidas; a rastrear e-mails na Internet, através de um sistema denominado "Carnívore" ; e a julgar terroristas estrangeiros em tribunais militares.  Além disso, foi autorizada a detenção de estrangeiros por até sete dias, independente de qualquer acusação formal.

Na verdade, o Estado foi transformado em um virtual e onipresente Big Brother, muito além do que ocorreu na América Latina, qualificada pelo Primeiro Mundo, nos chamados anos de chumbo, como um "continente atrasado, subdesenvolvido, sem tradição democrática, governado por ditaduras".

E mais: em 16 de novembro de 2001, a imprensa informou que ministros da União Européia, reunidos em Bruxelas, chegaram a um acordo de que ordens de prisão de terroristas ou suspeitos de terrorismo sejam cumpridas rapidamente em quaisquer dos 15 países-membros, eliminando os lentos processos de extradição. Segundo o Acordo, qualquer país da UE terá que extraditar para outro país-membro um terrorista ou suspeito de terrorismo depois de receber um pedido para que ele seja detido.

Se já não bastasse tudo isso, vejamos as entrevistas do historiador inglês John Keegan ao jornal O Estado de São Paulo de 30 de setembro de 2001 e à revista Veja, de 3 de outubro de 2001. Disse ele: "O terror é sujo, vil, traiçoeiro e a guerra contra ele terá que ser suja, sórdida e terrível (...) Temos que identificar as pessoas que pensam como os terroristas, seus aliados e os que lhes dão apoio. Infelizmente, precisamos limitar as liberdades civis para que a campanha seja eficaz. O Ocidente liberal, basicamente os EUA e a Europa, está começando a entender o comportamento dos governos da Argentina, do Uruguai e do Chile contra seus oponentes nos anos 70".

Resta saber se o diligente juiz espanhol Baltasar Garzón, que na época determinou uma ordem de prisão contra o General Pinochet, em razão da Operação Condor, teria disposição de emitir ordens de prisão para os Chefes de Estado da União Européia. 


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Nenhum comentário: