segunda-feira, 3 de junho de 2019

Bocozário



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Nos anos 70 do século passado, meu saudoso pai usava uma palavra muito em voga: “tantã”.

Um belo dia explicou-me que aquela expressão descrevia uma pessoa sem aptidão para um convívio social normal. Era desprovida de senso do ridículo, quase sempre inoportuna e sem noção de tempo e espaço.

Certa vez, um brilhante professor de física de uma das melhores escolas do país foi ao casamento de uma sobrinha, filha de sua irmã. Como era de rigor nas cerimônias da upper class de então, foi vestido com um elegantíssimo terno escuro, camisa branca, mas com a gravata na mão. Esperou pelo menos uma hora na fila de cumprimentos. Após beijar a noiva, disse candidamente : “Não tive tempo de por a gravata!” (sem sarcasmo).

Houve no passado uma casa noturna muito famosa chamada Radar Tantã.

Seu logotipo era uma anta usando um boné com uma hélice espetada no topo.

Os tantãs de outrora cometiam pequenos deslizes:

Falar em corda na casa de enforcado;

Dizer que a dona da festa tinha engordado;

Achar um menino muito parecido com o padrinho.

Os idiotas de hoje fazem coisas muito mais perigosas:

Pulam de asa-delta;

Escalam montanhas geladas, etc.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

2 comentários:

Anônimo disse...

O termo correto não seri "...Delirante de Presidente"?

Anônimo disse...

Esse termo não teria vindo do personagem dos quadrinhos francês Tin Tin, que vivia "viajando"?