terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Insurgência Moderna: Um pensamento ou uma teoria que se tornou realidade



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Alberto Pinto Silva

É inconcebível nos conflitos modernos e, também, nas lutas políticas pelo poder, uma postura de menosprezo em relação à novas ideias, e, ainda, os líderes terem atitude de descrédito com as novas formas de guerra, e com a nova via violenta para a Tomada do Poder.

Para a revolução ser vitoriosa não bastam a indignação e a revolta popular. É preciso, antes de tudo, que o movimento de massas seja guiado por uma teoria revolucionária e dirigido por uma vanguarda organizada. Tal lição foi sintetizada por V.I. Lênin, líder da Revolução Socialista Soviética, de 1917, na frase “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”.

Em sua “teoria do murro no paralítico” Lenine prescreve a desagregação da máquina do Estado, antes do golpe de força. Trata-se de aumentar a indecisão governamental e de “apodrecer” as instituições e os grandes órgãos do Estado, considerando que “Todos os meios são bons, se conduzem ao fim”.

O Brasil vive uma triste realidade inovadora, com o emprego de atividades de Guerra Híbrida como nova via violenta para a Tomada do Poder.

Na atualidade, as tendências políticas, econômicas e sociais apontam para a emergência, de indivíduos ou pequenos grupos extremamente poderosos unidos pela devoção a uma causa mais do que ao desenvolvimento econômico e sucesso das políticas públicas[1], que visam bem atender a população. Uma tendência dramaticamente acelerada graças à conectividade da internet.

A “Via Pacífica” para a conquista do Poder desmoronou, tornando real a possibilidade das forças do socialismo marxista vigente escalarem o modelo de guerra híbrida, usando, primordialmente, a nova forma violenta para tomada do poder modo hard (Com atividades de Guerra Híbrida), tentando manter um rumo de luta para o futuro, complementando com atividades de guerra híbrida em seu modo soft (forma não violenta: protestos, manifestações sindicais, uso dos movimentos sociais).

Ambas as fases (modo soft/golpe brando[2] ou modo hard/golpe rígido) compartilham das mesmas estratégicas e são diferentes lados da mesma moeda para a troca de regime.

Portanto, as ações podem ser diversas. Pacíficas ou não pacíficas na fase inicial, mais agressivas, e violentas em sua continuidade, na esteira dainsurgência moderna[3].

O centro de gravidade da ação está voltado a desestabilizar o governante, a desacreditar autoridades e em criar o caos na sociedade, sucedendo-se a crise política.

É essencial que todos tenham consciência que a ampla gama de grupos que compõe uma “insurgência moderna” pode possuir motivos vastamente diversos. Para o nossa discussão os que mais interessam são:

- Grupos ideológicos - sua abordagem não impõe limites às ações para atingir seus objetivos, o fim justifica os meios.

- Grupo híbrido - surge instigado por uma mistura de motivações reativas, ideológicas e oportunistas[4]. Por vezes tais grupos nascem entre os reativos e/ou ideológicos para em seguida se voltarem a ações criminosas em busca de financiamento para suas atividades e lutas políticas violentas para a conquista do Poder.

O que hoje se apresenta em termos de disputa política no Brasil, faz parte de uma estratégia, de um grupo híbrido, para desestabilizar o governo, pensada e planejada pela esquerda derrotada no pleito eleitoral, e seus representantes midiáticos no plano interno e externo do país.

O grupo híbrido pode adaptar sua mensagem para criar sua própria "ideia política"[5]específica a fim de conquistar mais seguidores para sua nova forma violenta de Tomada do Poder.

As atividades híbridas na luta para desorganizar governo e desacreditar as autoridades não são espontâneas, mas sim produzidas previamente à sua efetivação.  As pessoas não têm consciência do real papel que exercem nas diversas atividades de guerra híbrida que são desencadeadas. São simplesmente usadas como meio, para dar uma sensação de apoio popular à desestabilização do Estado, e à consequente tomada do Poder.

“O “vírus político” espargido e explorado “contaminará" as pessoas trabalhando para modificar seu posicionamento político, e o propósito é que, uma vez que encontre um "apoiador", esse indivíduo "espalhe”, para outras pessoas, ativamente, o pensamento da necessidade da desestabilização do governo, causando um "perigoso desordenamento político"[6].

A intenção, do grupo híbrido, no nosso caso específico, é implodir o Brasil via convulsão social em coordenação com o potencial de protestos da população, principalmente dos descontentes com o governo[7].”[8]

A atuação do grupo insurgente, com apoio de uma imprensa[9] cooptada e/ou ideologizada, é capaz de arregimentar uma massa crítica de pessoas, usando técnicas Ideológicas, Psicológicas, de Guerra Social em Rede, e de Informação, o suficiente para abertamente afrontar o Estado e tentar desagregá-lo, tudo isso visando instaurar um “desafio anárquico”[10] que os insurgentes tanto buscam, visando a conquista do controle social da população.

“Especialistas ligados às ciências humanas, identificam o “dedo do caos” em revoluções políticas, em transformações econômicas e na modificação de costumes e regras morais.”

As atividades de Guerra Híbrida, para a desestabilização e a desagregação da máquina do Estado, podem ser interpretadas como a utilização da teoria do caos para levar à imprevisibilidade, visando a tomada violenta do Poder.

A Guerra Civil Interna (Violência) não surge do nada, ela é consequência do sentimento dos grupos ideológicos oportunistas existentes da impossibilidade da Tomada do Poder por Via Pacífica (Eleições) e da existência de grupos sociais simpáticos à causa, e de uma imprensa colaborativa, e de uma oposição com potencial violento de protesto (Grupo Ideológico).

No Brasil de hoje, a luta pelo Poder progride, e a realidade nos mostra que até que o governo consiga conquistar a maior parte da sociedade com suas realizações, ou a grande imprensa vença o terceiro turno, com a guerra midiática interna e externa posta em execução contra o governo, aliada à esquerda brasileira que optou pela forma violenta para a tomada do Poder, e, assim, crescendo vertiginosamente os riscos políticos de consequências inimagináveis e se multiplicando os erros de cálculo.

O governo deve elaborar estratégias defensivas apropriadas para impedir a “insurgência moderna” sequer começar, e, se ela começar, para reduzir o impacto e evitar que o “desafio anárquico” imponha danos paralisantes e derrube o governo e conquiste o Poder.

“A maior defesa contra a insurgência moderna” é estabelecer firmes ações de governo em defesa dos valores democráticos nacionais, da ética e do combate à corrupção, dos direitos das pessoas e de uma maior igualdade social, além de manter a população informada das realizações governamentais. Isso significa fazer com que a sociedade se sinta em grande quantidade parte de "algo maior" e enxerguem no executivo respeito a conceitos supranacionais, existentes nas verdadeiras democracias.

É importante que essa ação de governo seja inclusiva e reúna os mais variados grupos sociais, étnicos, religiosos e econômicos do país. Na verdade, a forte promoção de ideais patrióticas pelo Estado leva à eventual criação de uma “mente de colmeia” em favor do governo e que participaria de um “contra enxames estratégico” em objeção a quaisquer insurgente ou ação visando a Tomada do Poder de Forma Violenta.”[11]

A grande dificuldade para as autoridades e instituições dos Estados Democráticos, na atual conjuntura, é de se ver presa pelo grande desafio de interpretar quando intervir, ou não, na luta pelo Poder sem ferir o regime democrático.


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Fonte de Consulta:

General de Exército da Reserva, Carlos Alberto Pinto Silva, ex-comandante de Operações Terrestres (COTer), do Comando Militar do Sul, do Comando Militar do Oeste, Membro da Academia Brasileira de Defesa, e do CEBRES.


[1] Os indivíduos estão trocando sua lealdade a nação pela lealdade a causas.
[2] Fase de planejamento e preparação.
[3] Que leva a um Conflito Interno Não Convencional.
[4] Grupos reativos - conduzem sofisticadas campanhas de comunicação, visando derrotar seus oponentes. Grupos Oportunistas - florescem beneficiando-se de um vácuo que lhes permite tomar riqueza ou poder.
[5] Obsessão, vírus.
[6] Que pode levar a um Conflito Interno Não Convencional .na tentativa da tomada violenta do Poder.
[7] Oposição política cooptada para a violência.
[8] “Guerras Híbridas: a abordagem adaptativa indireta com vistas à troca de regime”. Andrew Korybko
[9] Uma campanha midiática, planificada e constante no campo externo e interno visando desacreditar, desmoralizar, as autoridades, os políticos ligados da situação e ao próprio Presidente da República, com a intenção de desestabilizar o governo e facilitar a tomada do Poder.
[10] Caos
[11] “Guerras Híbridas: a abordagem adaptativa indireta com vistas à troca de regime”. Andrew Korybko

2 comentários:

Anônimo disse...

Um motivo para os indivíduos, mesmo sem ideologia marxista ou liberal, estarem recuando de sua lealdade à nação para a lealdade a causas foi terem descoberto que, do nobre ao burguês, do civil ao militar, a estrutura social brasileira está "aparelhada" pela Maçonaria e seus objetivos filosóficos secretos inviabilizando, pela desconfiança, qualquer projeto de união nacional. Não é válido o argumento isentista dos militares sobre a "pluralidade" da sociedade brasileira, pois uma sociedade secreta internacional não tem a mesma legitimidade do restante da sociedade nacional. Para garantir a lealdade à nação, segredos são admissíveis apenas nos serviços de inteligência para segurança nacional (não entregues a maçons).

Chauke Stephan Filho disse...

Como pode um maçom pregar "lealdade à nação", enquanto a Maçonaria entrega o Brasil para o Haiti? A lealdade a uma causa é tentativa de criar uma nação de iguais como reação ante o globalismo diversitário maçônico.