terça-feira, 26 de maio de 2020

Segundo jornalista do Estadão, Paulo Nunes, Vladimir Herzog cometeu suicídio


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Félix Maier

Fonte: Fichamentos de "História Oral do Exército - 31 de Março de 1964" (*)

“Minha terceira história refere-se à época em que morreu aquele jornalista, o Vladimir Herzog. Era Chefe do Estado-Maior na 2ª. RM e o General Antônio Ferreira Marques era Chefe do Estado-Maior do II Exército.

O General Ednardo D’Ávilla Melo, em respeito ao Presidente Ernesto Geisel, nomeou o General Fernando Guimarães de Cerqueira Lima, seu ex-assistente, para encarregado do inquérito; um general recém-promovido, que fora nomeado Comandante da Brigada de Caçapava, um brilhante oficial, meu amigo desde Capitão, mais antigo que eu três turmas. Homem de caráter, fez o inquérito com toda a lisura. À época, chegou para mim e disse:

- Oliva, estão aqui as fotografias do Herzog.

Por que ele me mostrou? Cerqueira Lima tinha um problema nos rins, uma virose, e todo dia depois do almoço necessitava descansar meia hora; tinha que deitar, pelo que passou a usar o meu apartamento, no QG.

As fotografias apresentavam o corpo pendurado e depois nu. Não apresentava marca nenhuma. Os legistas têm um método em que lavam o corpo e se existirem sinais de tortura, os sinais aparecem. Mas não havia nada. Ele enforcou-se com o próprio cinto – até então os presos ficavam com o cinto para segurar a calça, depois foi proibido, o preso tinha que segurar as calas com a mão. Perguntei-lhe:

- Cerqueira, alguém morre nessa posição?

- Oliva, eu não sei. Pedi para três médicos legistas me darem parecer, sobre se é possível alguém se matar dessa maneira. Os três afirmaram que sim. Nenhum preso ouviu nada, nem carcereiro, ninguém ouviu nada. O que eu tenho de concreto são os três pareceres dos médicos, logo concluo que houve suicídio.

Cerqueira Lima disse que para ele foi suicídio; até agora, com a prova que existe, documental, foi suicídio. Após o enterro, o ‘Estadão’ publicou declaração do rabino – o Herzog era judeu -, que o enterro tinha sido antecipado por ordens superiores. Diziam que um capitão tinha dado essa ordem ao rabino. Nada disso tinha acontecido, fora notícia mentirosa.

Na ocasião, constou que a esposa dele ia aos colégios, de sala em sala, dizendo que o marido tinha sido torturado e morto. Começaram a promover greve estudantil. O Colégio Objetivo funcionava na Paulista e tinha cinco mil alunos. Seria uma loucura cinco mil meninos, nervosos na rua, à noite. Chamei lá em casa os dois diretores do Grêmio Estudantil e perguntei-lhes se sabiam de alguém que tinha visto ou falado algo. Disseram que não. Orientei-lhes, então, para avisar seus colegas para terem calma e não fazerem bobagem: esperar o resultado do inquérito. Se vocês concordarem, tudo bem, se não, façam greve. Mas agora, não. Foi o único colégio em que não houve greve.

O General Cerqueira chegou a pesquisar a vida dele. Soube que Herzog estava em tratamento médico, era jornalista, atuava no jornal da TV Cultura. Politicamente, não tinha nenhuma expressão, na minha opinião pessoal. Alguém o prendeu, não sei o motivo. Aliás, não era a minha área. O Comando da 2ª. RM só cuidava da corrupção de militares. Combate à subversão era com o Comando do II Exército.

Descobriu que ele estava em tratamento psiquiátrico. Dedução lógica, então, era um homem que provavelmente estava depressivo, em crise ou qualquer coisa dessa natureza; por ter sido preso, poderia ter se auto-sugestionado e cometido suicídio. Admito que a versão real seja essa, não estou dizendo que foi, eu não vi, só conheci a documentação.

Legalmente, no inquérito, ou você tem provas ou tem três testemunhas visuais, isso é da lei civil e militar. Se você não apresenta três testemunhas visuais, se não possui provas documentais, não pode condenar ninguém. Inegavelmente, foi ruim para a Revolução, porque de qualquer modo justificou a posição dos líderes que eram contra nós” (General-de-Exército Oswaldo Muniz Oliva, Tomo 7, pg. 76-77).

Obs.

Quando trabalhei no Departamento-Geral do Pessoal (DGP), de 2009 a 2019, como Prestador de Tarefa por Tempo Certo (PTTC), um coronel da Assessoria de Planejamento e Gestão (APG) me garantiu que um soldado, em uma Unidade do RS, não me lembro qual, havia se enforcado na prisão em situação semelhante à de Vladimir Herzog.

Felix Maier

“Tenho minhas dúvidas sobre o que dizem em relação ao Vladimir Herzog, pois conheço a pessoa que fez o inquérito – General Cerqueira Lima (Fernando Guimarães de Cerqueira Lima) – fui assistente dele e seu Chefe de Estado-Maior. É um homem muito inteligente, dos mais sérios e lúcidos que eu já via na minha vida. E ele me jurava:

- Pode ser que tenham matado o Herzog, mas não consegui provar nada. Passei um mês sem dormir fazendo o inquérito.

Ele tinha uma cópia do inquérito e hoje me arrependo de não ter solicitado uma para mim. Sou metido a escrever – daria um best seller fantástico.
No final, o D’Ávila (Ednardo D’Ávila Mello) foi responsabilizado e exonerado do Comando” (Coronel Renato Moreira, Tomo 8, pg. 357).

“A imprensa vive explorando a morte do Vladimir Herzog no II Exército. Poucas vezes comenta-se que o General-de-Exército D’Ávila Mello (Ednardo D’Ávila Mello) – que foi meu instrutor na ECEME – foi demitido pelo Presidente Geisel por causa daquela morte, principalmente pelo fato do morto ser jornalista. Mas ninguém sabe o nome, nem faz referência, ao Edson Régis de Carvalho, que também era jornalista e morreu atingido pela bomba no aeroporto de Guararapes, no Recife. Aí está o peso da parcialidade da imprensa no que tange ao ‘revanchismo’ (Tenente-Coronel Alexandre Máximo Chaves Amêndola, Tomo 8, pg. 397).

Depoimento de jornalista do Estadão desmente tortura de Herzog no dia de sua prisão e morte no dia seguinte

“Até gostaria de dar um exemplo do que a mídia torce. Vocês devem lembrar do caso Vladimir Herzog e que há um prêmio de reportagem Vladimir Herzog. Ele compareceu ao DOI em São Paulo acompanhado do jornalista que era credenciado lá no II Exército e que se chamava Paulo Nunes. Apresentou-se de manhã, às 8h da manhã, para depor. Após o almoço, já havia terminado tudo, ficando numa sala, afastado, e, ali, ele enforcou-se. Hoje, a imprensa publica, como subsídio para exame de vestibular, encarte em que Vladimir Herzog foi preso e, após uma note de torturas, amanheceu enforcado.

Digo, meu Deus, é só pegar o Estadão da época para ver o que acontecem, mas não se preocupam com isso. O que fica valendo para o jovem, que vai fazer o vestibular, é o que consta nesse recorte que lhe foi fornecido. Mas é a história que eles contam e, a partir daí, passou a ser verdade, mas a verdade foi contada detalhadamente pelos jornais da época, como O Estado de São Paulo, ao qual já me referi.

A verdade foi mostrada pelo jornalista Paulo Nunes. Ele testemunhou, dizendo: ‘Eu fui levar o Herzog de manhã às 8h e às 16h iria busca-lo. Foi uma surpresa para nós, para todos nós que ele tenha se enforcado’. Digo que este sujeito não era mais que um jornalista, não tinha nada de importante.
Não era importante. [entrevistador]

Hoje, ninguém sabe que ele era um jornalista como outro qualquer. Associou-se a sua pessoa uma figura de grande renome. Prêmio Vladimir Herzog – para um judeu, apátrida, que nem brasileiro era.

Um estrangeiro metendo o bedelho nas nossas coisas... [entrevistador]

Ele era iugoslavo, saiu da Iugoslávia, foi para a Itália e depois para o Brasil e, aqui, deram cidadania brasileira. Consta que foi locutor da BBC em Londres” (Coronel Audir Santos Maciel, Tomo 11, pg. 151-152).

Obs.

Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia & Direitos Humanos

A esquerda é rápida em fabricar heróis, como foi o caso de Vladimir Herzog, o Vlado, filiado ao Partido Comunista Brasileiro, atuante na base comunista infiltrada na revista Visão e, depois, na TV Cultura – vulgo “Viet-Cultura”, e mais recentemente, Marielle Franco, vereadora carioca pelo PSol, duas personalidades opacas que, depois da morte, foram elevadas ao Olimpo dos Heróis da Pátria.

Veja, Visão, Realidade, Vozes eram revistas que serviam de ninho para jornalistas comunistas, que ditavam o que podia e o que não podia ser publicado. Isso, durante a “ditadura”. Que ditadura foi essa?

Todo ano, personalidades e órgãos de esquerda recebem o Prêmio Vladimir Herzog pelo único motivo de serem de esquerda – cfr. os vencedores do Prêmio em 2019:



Na mesma época da morte de Vladimir Herzog, morreram no DOI-CODI, em condições semelhantes, o tenente PM José Ferreira de Almeida e o operário Manoel Fiel Filho. Ao contrário de Vlado, estes nunca são lembrados pela mídia militante. Afinal, não eram jornalistas. Nem pertenciam ao Partidão.

Félix Maier

Vladimir Herzog, agente do Serviço Secreto inglês?

“Mas não foi o General [Cerqueira Lima] que me levantou esse outro aspecto. Isso eu vi e ouvi na televisão, comentado pelo Paulo Francis – um homem de esquerda – quando se referia ao assunto em um de seus programas. Ele disse que se investigassem os seis meses durante os quais o Herzog passara desaparecido, e se conseguissem descobrir onde ele estivera, concluiriam que, na verdade, ele fora um agente duplo, a serviço de sua Majestade.
[entrevistador]

Não, não acredito.

É fantástico! É assunto para escrever um livro. [entrevistador]

É a primeira vez que eu ouço tal afirmativa.

Mas é uma tese até romântica [entrevistador]

Os ingleses não reclamam nada.

Não, talvez por isso é que ele cometeu suicídio. Achou que não conseguiria guardar o segredo e na hora que descobrissem que ele não era só agente do partidão, não era homem do Trotski, do Brejnev e que, na realidade, o líder dele era a rainha-mãe, ele se desmoralizaria e iriam justiça-lo. Porque ele morreu glorificado, vítima da nossa violência. E, se falasse, morreria jutiçado. Agora, há um detalhe, que dá maior credibilidade a essa teoria: ele foi locutor da BBC de Londres durante dois anos” [entrevistador] (Coronel Amarcy de Castro e Araújo, Tomo 8, pg. 375-376).

Obs.

O ex-governador de São Paulo, Paulo Egydio Martins, afirma que Vladimir Herzog foi agente do Serviço Secreto inglês – cfr. https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/04/vladimir-herzog-agente-duplo.html.

Adendo:

Residência de Vlado serviu de esconderijo para Marighella

“Anos antes, no fim de 1968, quando Vlado nem cogitava assinar ficha no Partidão, um dos expoentes da luta armada, Carlos Marighella, foi um furtivo hóspede de sua casa, que várias vezes serviu de ‘ponto’ para encontros do líder da ALN com sua companheira, Clara Charf” (Audálio Dantas, in “As duas guerras de Vlado Herzog”, Civilização Brasileira, Rio, 2ª. edição, 2014, pg. 90 – vencedor do Troféu Juca Pato 2013).

Félix Maier é Capitão reformado do EB. (*) Texto extraído da "História Oral do Exército - 31 de Março de 1964", em 15 Tomos, editada pela Biblioteca do Exército Editora (Bibliex), Rio de Janeiro, 2003. Coordenador-geral da obra: General-de-Brigada Aricildes de Moraes Motta.

Um comentário:

aparecido disse...

45 anos depois e o Brasil continua no passado...o futuro não existe para esse pais...