domingo, 19 de julho de 2020

A Guerra não é contra o vírus. Ele é só a arma



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ronaldo Fontes

O país já enfrentou várias epidemias e, sendo médico há 41 anos, atuei e continuo no combate a elas. 

Portanto temos que ter serenidade, agrupar as autoridades competentes sobre o assunto e determinar condutas, inclusive e principalmente para a sociedade. A política é a arte do que fazer. A estratégia é de como fazer. O que fazer?

1. Ajudar populações vulneráveis
2. Distribuição de vacinas
3. Medicação antiviral
4. Distanciamento social e pessoal.

1. Antivirais

* Ainda não possuímos antivirais comprovados nem tratamento definido. Temos que promover as pesquisas. Todas as propostas embasadas cientificamente devem ser toleradas e acompanhadas para , quando comprovadas , serem aplicadas definitivamente.

* Fornecer equipamentos, kits diagnósticos, medicamentos e materiais necessários para tratar os casos definidos e suas complicações, incluindo aqui equipamentos de proteção aos profissionais de saúde.

* Determinar condutas de diagnóstico e atendimento aos profissionais de saúde.

* Assim que tivermos um antiviral eficaz, para cada grupo de 150.000 pessoas, deveremos ter em estoque, contínuo:
10 mil para  cada grupo, distribuídos em sequência da seguinte forma:

- primeiro aos doentes e em sequência
- aos mais vulneráveis
- aos mais pobres
- por último, aleatoriamente

2. Vacinas não dispomos.

Aonde podemos atuar e como?

3. Ajudar os vulneráveis

- fechamento de escolas e mudança de comportamento da população reduzem em 87% a taxa de ataque e reduz a perda de renda em 82%.Além de reduzir o tamanho da epidemia, diminui a taxa de ataque nas crianças de 0,84 para 0,07 e também protege os idosos, que de 0,66 cai para 0,18.

4. Comportamento pessoal.

É a maior contribuição para reduzir o tamanho da epidemia e reduz a perda de renda.

Métodos de distanciamento ou intervenção pessoal:

- evitar aglomerações em eventos, festas, cultos, parques, recreação, shopping.
- eliminar deslocamentos desnecessários.
- evitar contato pessoal com cumprimentos, beijos e abraços
- disseminar orientações.
-  A classe produtiva mantém atividade. Pessoas saudáveis da classe produtiva continuam com as atividades mantendo os cuidados com apoio dos dos gestores:
- distribuição, orientação ao uso de máscaras, álcool gel, água sanitária, métodos de higiene pessoal.
- Distanciamento de pelo menos 2 metros.
- Escalonamento de entrada e saída no trabalho e durante a alimentação e repouso.

Isto é uma situação de guerra, os trabalhadores de todos os níveis não devem sofrer intervenção pública e serão considerados os mais vulneráveis.

Qual é o gatilho que o gestor deve utilizar para intervenção sobre os produtivos?

Quando o número de notificações ultrapassar 1% da população total infectada.

Esse limite pressupõe diariamente três ações:

- vigilância
- monitorização
- notificação

Portanto, essas informações colhidas do passado recente devem servir de bússola para tomada de decisão. Sem ignorar que a arma atual que nos atinge possui características peculiares. 

O Brasil não pode e não deve parar.

Dr. Ronaldo Fontes é Médico. Epidemias.  volume 3: 19-31, 2011. Artigo escrito em 16 de julho de 2020.

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