domingo, 26 de julho de 2020

Os próximos desafios para Bolsonaro


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
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Ame, goste ou odeie, Jair Messias Bolsonaro é um cara diferente. O Presidente até consegue fazer autocrítica – coisa rara entre os “poderosos”. Curado do Kung Flu – finalmente testou negativo para o maldito vírus -, Bolsonaro pegou sua moto e foi passear na casa da deputada Bia Kicis (tirada, maleducadamente, da vice-liderança do Governo). O gesto de Bolsonaro reparou um erro por ele cometido contra uma aliada fiel.

E agora, Jair? O jogo segue brutíssimo. O Presidente ainda precisa sentir firmeza na relação política (re)estabelecida com a base aliada. O tal “Centro Democrático” é muito sensível. A esquerdalha e a extrema mídia seguem batendo cada vez mais forte no Bolsonaro. O interessante é que já ficou claro que o cara apanha não pelo que é, mas pelo que representa: perspectiva de reformas e mudanças, seguindo a tendência conservadora.

Um desafio imediato entra na ordem do dia. Além de consolidar a base política, Bolsonaro tem de resolver o abuso (ou exagerado desequilíbrio) de poder do Supremo Tribunal Federal na relação com o Executivo e o Legislativo. Não se trata de “enquadrar o Judiciário”. Aliás, é preciso consertar uma visão conceitual errada: de que o STF é a cúpula do Judiciário ou a “quarta instância”. Não é.

O Supremo tem de ser (voltar a ser) o guardião da Constituição (por pior que ela seja, como é o caso da Carta de 1988). Não é legítima a judicialização de tudo, sobretudo da Política. Composto por falíveis seres humanos indicados politicamente, o STF tornou-se um perigoso fator de desequilíbrio institucional. Além disso, é estranho que o Presidente do STF acumule a presidência do Conselho Nacional de Justiça. O CNJ, supostamente, é o órgão de “fiscalização externa” do Judiciário. Jura? O fiscal que fiscaliza o próprio fiscal? Jabuticaba tupiniquim...

Já passou da hora dessas discussões relevantes acontecerem. O Brasil precisa parar de ser uma ditadura disfarçada para se transformar em uma democracia o mais verdadeira possível. O País não tem jeito se não definir seu Projeto Estratégico de Nação que, por sua vez, será a base realista para uma Nova Constituição – que precisa ser elaborada e debatida por um Congresso Constituinte eleito especificamente para essa finalidade. A de 1988 foi produzida pelos vencedores dos Planos do Sarney e seus mandarins FHC, Ulisses Guimarães e Nelson Jobim. Ela já deu...
Nada murará de verdade sem a Nova Constituição. A de 1988 vem sendo violentada pelas interpretações supremas que são feitas pelo politicamente conveniente a cada ocasião. Por isso, o problema real não é apenas a composição do STF. Claro que a escalação ruim do time compromete o bom resultado final. O problemaço é a arma mortífera que os deuses togados têm à disposição para judicializar, politicamente, a vida das pessoas.

Por causa de tanto problema, temos de lutar pela responsável Liberdade de Expressão. Só esta qualidade democrática permite a exposição dos problemas e o debate das soluções. O Brasil precisa de uma Nova Constituição, um enxugamento das insanas leis em vigor e uma repactuação político-jurídica. Se a guerra institucional não parar, o País seguirá conflituoso e subdesenvolvido.

Vamos para o debate ou para a porrada? A sociedade precisa definir. Bolsonaro precisa governar, porque foi legitimamente eleito para este fim. A esquerda (que prefere ser chamada de progressista, mesmo não sendo) pode chiar o que quiser, mas a tendência é conservadora. Assim, a maioria não pode ser sabotada pela imposição da minoria oligárquica.

O foco não é a defesa de Bolsonaro. Ele fará isso por si mesmo – ou não fará. O fundamental é defender aquilo que Bolsonaro representa: as reformas e mudanças com base no conservadorismo. É isto que os inimigos (do Presidente e do Brasil) querem destruir, com a ajuda de uma esquerda irresponsável, políticos canalhas e ditadores togados. Este time ruim e medíocre não pode vencer. Temos de derrotá-los!

O Segredo? Manter o amor, a fé e a esperança, com resiliência, temperança e, sobretudo, sanidade.






Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas.

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Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 26 de Julho de 2020.

13 comentários:

Jayme Guedes disse...

Serrão, o presidente não errou; quem errou foi a Bia Kicis. Se aceito ser vive-líder do governo no Congresso é para votar com o governo, não com minha consciência. Se minha consciência me impede de apoiar alguma votação, renuncio ao cargo antes da votação. Isso é simples de ser entendido. Mas, se voto contra, obviamente serei demitido e a demissão é ainda mais simples de ser entendida.

Anônimo disse...

Estadão
Governo Bolsonaro me usou como desculpa (de que defendia agenda anticorrupção), diz Moro
Matheus Lara 47 minutos atrás
Carreata em BH protesta contra Bolsonaro e Zema com abraço de veículos ao…
Reunião de ‘Friends’ deve ser gravada já em agosto

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro disse em entrevista ao jornal britânico Financial Times que o governo de Jair Bolsonaro usou sua presença na equipe ministerial como desculpa para demonstrar que medidas anticorrupção estariam sendo tomadas. O ex-ministro afirmou que o governo não estava fazendo muito e que esta agenda tem sofrido reveses desde 2018, quando Bolsonaro se elegeu.

"Uma das razões para eu sair do governo foi que não estava se fazendo muito (pela agenda anticorrupção)", disse Moro à publicação. "Eles estavam usando minha presença como uma desculpa, então eu saí. A agenda anticorrupção tem sofrido reveses desde 2018".

Sérgio Moro durante coletiva de imprensa em que anunciou sua saída do governo. © Gabriela Biló/Estadão Sérgio Moro durante coletiva de imprensa em que anunciou sua saída do governo.
A FT lembrou que a saída de Moro foi marcada pela acusação de que o presidente Bolsonaro teria interferido politicamente na Polícia Federal. Um inquérito no Supremo Tribunal Federal investiga as declarações do ex-ministro.

Moro comentou que não se combate corrupção sem respeitar a lei e as instituições. "Ele mudou o diretor da Polícia Federal sem pedir minha opinião e sem uma boa causa. Não acho que dá para combater corrupção sem respeitar a lei e a autonomia das instituições que investigam e denunciam crimes."

Moro também comentou a aproximação de Bolsonaro com o Centrão, o "controverso bloco de partidos conhecidos por oferecer apoio em troca de cargos políticos", de acordo com o jornal. "No começo, o governo parecia evitar esse tipo de prática, mas hoje em dia não tenho tanta certeza".

Na semana passada, o Estadão mostrou que um dos motivos que fizeram integrantes do Centrão se aliarem a Bolsonaro é justamente o medo de uma possível candidatura presidencial de Moro em 2022. Sem um candidato próprio na direita ou mesmo da centro-direita, o grupo teme que um eventual afastamento de Bolsonaro fortaleça a eleição do ex-ministro caso Bolsonaro tenha o mandato interrompido ou em 2022. Quando era juiz da Lava Jato, Moro foi algoz de vários dirigentes do Centrão.

O ex-ministro também comentou sobre os vazamentos de mensagens atribuídas a ele a procuradores da Operação Lava Jato da época em que ele atuava como juiz federal em Curitiba. As mensagens divulgadas pelo jornal The Intercept Brasil "machucaram a reputação da operação", de acordo com a publicação. "Não reconheço a autenticidade daquelas mensagens. Não havia nada lá que pudesse comprometer o caso", afirmou Moro.

Anônimo disse...

Blog do Welbi
O Bolsonaro imaginário e o real
25.7.20


Votação do Fundeb é o retrato do governo de um presidente que só trabalha para se reeleger e proteger sua prole

Bolsonaro é falso sempre: ou falso-negativo ou falso-positivo ...

O Estado de S.Paulo

Nem os parlamentares mais fiéis ao presidente Jair Bolsonaro conseguem entender os rumos do governo. A deputada Bia Kicis (PSL-DF), bolsonarista acima de qualquer suspeita, foi dispensada do cargo de vice-líder do governo no Congresso porque votou contra a renovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) – exatamente como parecia ser o desejo do Palácio do Planalto até pouco tempo atrás.

O governo menosprezou o projeto de renovação do Fundeb o quanto pôde, considerando-o “demagógico”, conforme avaliação feita no início do ano pelo então ministro da Educação, Abraham Weintraub, de triste memória. Na ocasião, o ministro informou que o governo apresentaria sua própria proposta, o que jamais aconteceu.

À medida que ficava claro que o Congresso votaria o novo Fundeb mesmo sem qualquer participação do governo, os deputados que integram hoje a base governista tentaram adiar a votação, mas foram atropelados. Houve então uma negociação de última hora realizada por articuladores do governo para que o projeto, amplamente apoiado pela opinião pública e por especialistas em educação, tivesse afinal alguma digital de Bolsonaro. Só esqueceram de combinar com o punhado de deputados que votam com Bolsonaro faça chuva ou faça sol – entre eles a agora humilhada Bia Kicis.

“Foi uma votação quase unânime, 6 ou 7 votaram contra. Se votaram contra, eles têm seus motivos. Só perguntar para eles por que votaram contra”, disse o presidente Bolsonaro a respeito dos votos de seus fidelíssimos aliados. Já a propósito do projeto que seu governo tanto sabotou, Bolsonaro disse que “o governo conseguiu mais uma vitória” e que “a Câmara e o Executivo mostraram responsabilidade”.

Esse é o retrato de um governo perdido. Ou melhor, de um governo que é o reflexo de um presidente que não trabalha senão para se reeleger e proteger sua prole – único projeto concreto que apresentou ao País até agora, relegando às calendas suas retumbantes promessas de refundação da república. Em nome de seus interesses privados, não pensa duas vezes antes de atirar ao mar seus mais devotados seguidores e não se envergonha de tentar tomar para si os méritos do Congresso no avanço de pautas de profundo interesse do País. Foi assim com o Fundeb, foi assim na votação da reforma da Previdência – que o presidente igualmente dificultou – e está sendo assim na reforma tributária, de cujo debate o governo só decidiu participar quando percebeu que seria deixado de lado pelos parlamentares. Continuar....

Anônimo disse...



Blog do Welbi – continua II e termina.....

Não é à toa que os deputados verdadeiramente bolsonaristas devem estar confusos. Apoiaram cegamente um presidente que se elegeu prometendo abandonar a “velha política”, e eis que agora são humilhados justamente por se manterem fiéis a esse seu Bolsonaro imaginário – enquanto o Bolsonaro real abriu o balcão de negócios com os partidos fisiológicos para ter algum apoio consistente e conseguir sobreviver no cargo. “Alguns dizem que a minha bancada votou contra”, disse o presidente a respeito da votação do Fundeb. “A minha bancada não tem 6 ou 7 (deputados) não, é bem maior que essa daí.”

Como a votação do Fundeb e o debate sobre a reforma tributária mostraram, a única bancada com a qual Bolsonaro pode realmente contar é “essa daí”, goste ele ou não. Já os partidos de sua bancada “bem maior” vão votar conforme sua agenda própria, que não necessariamente coincide com a do governo, seja lá qual for.

Felizmente, o espírito do atual Congresso continua a ser firmemente reformista. Há promessas de avanço rápido da reforma tributária – a verdadeira, e não o arremedo apresentado pelo governo – e outras mudanças começam a entrar na pauta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, informou que no processo de sua sucessão, em fevereiro do ano que vem, vai apoiar o candidato que se comprometer a tocar a reforma tributária. É uma sinalização de firmeza sobre a continuidade desse importante processo mesmo que mudem os líderes no Legislativo – e mesmo que o governo continue a fingir que não tem nada com isso.

Anônimo disse...

POLÍTICA
Bolsonaro entra com ação no STF contra suspensão de perfis de aliados
O presidente Jair Bolsonaro - MARCOS CORREA/PR
O presidente Jair Bolsonaro
Imagem: MARCOS CORREA/PR
Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

25/07/2020 20h07Atualizada em 25/07/2020 21h22

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ingressou hoje com um ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para reverter decisões judiciais como a determinada pelo ministro Alexandre de Moraes que suspendeu contas no Twitter e no Facebook de influenciadores, empresários e políticos bolsonaristas.

"Agora às 18h, juntamente com a AGU [Advocacia-Geral da União], entrei com uma Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade] no STF visando ao cumprimento de dispositivos constitucionais. Uma ação baseada na clareza do Art. 5° [da Constituição], dos direitos e garantias fundamentais", escreveu Bolsonaro, em seu perfil no Facebook."

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"Caberá ao STF a oportunidade, com seu zelo e responsabilidade, interpretar sobre liberdades de manifestação do pensamento, de expressão, além dos princípios da legalidade e da proporcionalidade," completou.

A Adin é uma ação judicial que tem como objetivo verificar a constitucionalidade de lei, ato normativo federal ou estadual. Ela é julgada no mérito pelo plenário do Supremo, composto pelos 11 ministros.

"No particular, a ação volta-se contra a ilegitimidade de atos de interpretação do Código de Processo Penal que resultam em ordens de bloqueio/interdição/suspensão de perfis pessoais em redes sociais, controvérsia de relevância ostensiva", lê-se na peça de 21 páginas assinada por Bolsonaro, pelo advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Júnior, e pela secretária de contencioso do órgão, Izabel Vinchon Nogueira de Andrade.
A ação pede que decisões como a de Moraes sejam suspensas em caráter liminar até o julgamento da causa. O nome do ministro que será o relator do processo deverá ser conhecido em até 48 horas.

"Em uma democracia saudável, a liberdade de expressão deve ser plena, bem assim a liberdade de imprensa. Ademais, para decantar potenciais erros e manipulações, a democracia exige fontes alternativas e independentes de informação para que os cidadãos tenham a necessária compreensão esclarecida acerca dos negócios públicos", lê-se no documento.

O UOL apurou que, internamente, ministros do STF consideram que a atitude presidencial acaba por corroborar sua ligação com o esquema de distribuição massiva de fake news.
O sombra
quem vai pagar as açoes? E o cartao corporativo ou seja nos ou ele de seu orçamento pessoal.

Anônimo disse...

Blog do Welbi
"‘Negacionismo’ e políticas públicas", artigo de José Goldemberg
20.7.20

O próprio presidente é um ‘negacionista’, o que causa grandes prejuízos na saúde e na economia

Economist: postura de Bolsonaro ante Covid-19 pode ser começo de ...

O Estado de S.Paulo

“Negacionistas” são pessoas que se recusam a aceitar a realidade, adotando posições que não têm validação ou experiência histórica. A História está, de fato, cheia de exemplos de “negacionistas”.

Se os reis da Espanha e Portugal fossem “terraplanistas” – como era a Igreja Católica na época –, não teriam financiado a viagem de Cristóvão Colombo que descobriu a América ao tentar atingir o Oriente, nem Cabral teria descoberto o Brasil.

Apesar disso, no Brasil está surgindo um número inquietante de negacionistas. Um deles é o próprio presidente da República, que – nas palavras insuspeitas do seu ex-ministro da Justiça, Sergio Moro – é um “negacionista” no que se refere à pandemia do coronavírus, descrevendo-a como uma “gripezinha”, mesmo diante da evidencia aterradora de mais de mil mortes por dia. Além disso, encontra pretextos para argumentar que os números de mortes são “exagerados” e manipulados pelos opositores políticos.

A realidade é bem outra, como se sabe: morrem no Brasil por ano cerca de 1,3 milhão de pessoas por todo tipo de doenças, como câncer, problemas cardíacos e outras, além de acidentes de trânsito, homicídios e suicídios. Isso significa cerca de 3.500 mortes por dia. A covid-19 aumentou esse número para cerca de 5 mil óbitos por dia.

Há duas razões para que pessoas (ou agentes públicos) adotem posições “negacionistas”: ignorância pura e simples ou má-fé (interesse material ou político). A segunda hipótese é exemplificada pelo que acontece com a indústria do tabaco, que lutou (e ainda luta) desesperadamente para evitar a redução dos fumantes, usando argumentos anticientíficos para negar a evidência de que fumar é uma causa importante de câncer de pulmão.

O caso da covid-19 é mais complexo e mistura ignorância e má-fé. Há “negacionistas” de direita e de esquerda. Os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil populistas de direita recusaram-se a levar a sério o problema para agradar à sua base eleitoral, com resultados dramáticos em número de mortes. Em contraste, o primeiro-ministro da Hungria e o presidente da Turquia, ambos também de direita, adotaram confinamento severo e contiveram a propagação da doença nos seus países. O mesmo fez o presidente da Argentina, que é de esquerda. Já o presidente do México, igualmente de esquerda, não o fez, com resultados perversos para a população do seu país.

Sem a liderança do governo federal não é possível ter uma política eficaz de combate ao vírus. No Brasil, a responsabilidade de governadores e prefeitos é “concorrente” à do governo federal, o que não o exime de exercer a liderança, como, aliás, o ex-ministro Mandetta, da Saúde, conseguiu fazer até ser demitido. Continuar....

Anônimo disse...


Blog do Welbi – continua II E TERMINA.....

Outro exemplo de “negacionismo” no atual governo é o tratamento da questão da Amazônia, que destruiu a imagem positiva que tínhamos no exterior e pode acabar por prejudicar seriamente as nossas exportações. Não reconhecer a realidade do desmatamento crescente da Amazônia nos últimos anos (documentada por órgãos do próprio governo, como o Inpe) é não só um absurdo, mas prejudicial ao País.

Já enfrentamos esse problema no passado, em duas ocasiões em que o desmatamento ilegal e predatório foi reduzido sem que fossem prejudicadas as atividades econômicas. O exemplo mais conhecido é o da redução dramática do desmatamento entre 2007 e 2012, mesmo com o aumento do volume e do preço da soja e da carne exportadas. Um exemplo anterior a esse se verificou entre 1988 e 1992, no final do governo Sarney e durante o governo Collor.

Nos dois casos, o que aconteceu foi a adoção de uma política clara na Presidência da República que motivou e até constrangeu os governos estaduais e municipais a participarem do esforço de redução do desmatamento. A integração das ações do Ibama com a Polícia Federal e polícias ambientais dos Estados, com o amplo apoio da imprensa e de muitas organizações não governamentais, deu resultados.

Foram essenciais nesse processo as ações de inteligência capazes de detectar com antecedência os atos predatórios, e não simplesmente correr “atrás do prejuízo” e enviar força policial ou militar quando o desmatamento já se consumou. O papel do Ibama mostrou-se essencial nos dois casos descritos acima.

O “negacionismo” do governo atual no caso do desmatamento – diferentemente do caso da covid-19 – não parece dever-se apenas à ignorância e ao populismo, mas tem base política em parte do setor agropecuário, que se mostrou insatisfeito com restrições à expansão da ocupação da Amazônia decorrentes do Código Florestal.

Essa visão não é unânime no setor agropecuário, que reconhece que melhores tecnologias permitiriam aumentar a produtividade de soja, milho e outros produtos sem avançar em áreas públicas ou “griladas”. No caso da pecuária, adensar a forma de criar os rebanhos também faz sentido técnica e economicamente, e isso poderia ser acelerado.

Desmatar a Amazônia não é um “problema cultural”, como argumentam alguns. É um problema de transgressões que devem ser coibidas.

* JOSÉ GOLDEMBERG É PROFESSOR EMÉRITO DA USP, FOI MINISTRO DO MEIO AMBIENTE

Anônimo disse...

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O Bolsonaro imaginário e o real
25.7.20

Votação do Fundeb é o retrato do governo de um presidente que só trabalha para se reeleger e proteger sua prole

Bolsonaro é falso sempre: ou falso-negativo ou falso-positivo ...

O Estado de S.Paulo

Nem os parlamentares mais fiéis ao presidente Jair Bolsonaro conseguem entender os rumos do governo. A deputada Bia Kicis (PSL-DF), bolsonarista acima de qualquer suspeita, foi dispensada do cargo de vice-líder do governo no Congresso porque votou contra a renovação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) – exatamente como parecia ser o desejo do Palácio do Planalto até pouco tempo atrás.

O governo menosprezou o projeto de renovação do Fundeb o quanto pôde, considerando-o “demagógico”, conforme avaliação feita no início do ano pelo então ministro da Educação, Abraham Weintraub, de triste memória. Na ocasião, o ministro informou que o governo apresentaria sua própria proposta, o que jamais aconteceu.

À medida que ficava claro que o Congresso votaria o novo Fundeb mesmo sem qualquer participação do governo, os deputados que integram hoje a base governista tentaram adiar a votação, mas foram atropelados. Houve então uma negociação de última hora realizada por articuladores do governo para que o projeto, amplamente apoiado pela opinião pública e por especialistas em educação, tivesse afinal alguma digital de Bolsonaro. Só esqueceram de combinar com o punhado de deputados que votam com Bolsonaro faça chuva ou faça sol – entre eles a agora humilhada Bia Kicis.

“Foi uma votação quase unânime, 6 ou 7 votaram contra. Se votaram contra, eles têm seus motivos. Só perguntar para eles por que votaram contra”, disse o presidente Bolsonaro a respeito dos votos de seus fidelíssimos aliados. Já a propósito do projeto que seu governo tanto sabotou, Bolsonaro disse que “o governo conseguiu mais uma vitória” e que “a Câmara e o Executivo mostraram responsabilidade”.

Esse é o retrato de um governo perdido. Ou melhor, de um governo que é o reflexo de um presidente que não trabalha senão para se reeleger e proteger sua prole – único projeto concreto que apresentou ao País até agora, relegando às calendas suas retumbantes promessas de refundação da república. Em nome de seus interesses privados, não pensa duas vezes antes de atirar ao mar seus mais devotados seguidores e não se envergonha de tentar tomar para si os méritos do Congresso no avanço de pautas de profundo interesse do País. Foi assim com o Fundeb, foi assim na votação da reforma da Previdência – que o presidente igualmente dificultou – e está sendo assim na reforma tributária, de cujo debate o governo só decidiu participar quando percebeu que seria deixado de lado pelos parlamentares. CONTINUA....

Anônimo disse...



Blog do Welbi – CONTINUA II E TERMINA.....

Não é à toa que os deputados verdadeiramente bolsonaristas devem estar confusos. Apoiaram cegamente um presidente que se elegeu prometendo abandonar a “velha política”, e eis que agora são humilhados justamente por se manterem fiéis a esse seu Bolsonaro imaginário – enquanto o Bolsonaro real abriu o balcão de negócios com os partidos fisiológicos para ter algum apoio consistente e conseguir sobreviver no cargo. “Alguns dizem que a minha bancada votou contra”, disse o presidente a respeito da votação do Fundeb. “A minha bancada não tem 6 ou 7 (deputados) não, é bem maior que essa daí.”

Como a votação do Fundeb e o debate sobre a reforma tributária mostraram, a única bancada com a qual Bolsonaro pode realmente contar é “essa daí”, goste ele ou não. Já os partidos de sua bancada “bem maior” vão votar conforme sua agenda própria, que não necessariamente coincide com a do governo, seja lá qual for.

Felizmente, o espírito do atual Congresso continua a ser firmemente reformista. Há promessas de avanço rápido da reforma tributária – a verdadeira, e não o arremedo apresentado pelo governo – e outras mudanças começam a entrar na pauta. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, informou que no processo de sua sucessão, em fevereiro do ano que vem, vai apoiar o candidato que se comprometer a tocar a reforma tributária. É uma sinalização de firmeza sobre a continuidade desse importante processo mesmo que mudem os líderes no Legislativo – e mesmo que o governo continue a fingir que não tem nada com isso.

Anônimo disse...

"SIGA O DINHEIRO"

Nos EUA, a toda poderosa Amazon, um titã da era da tecnologia da informação, empresa com capital muito maior que várias nações do mundo inteiro, doou 10 milhões ao movimento "BLM" (Black Lives Matter).

O BLM, em troca desse ato de "bondade", destrói várias edificações da Amazon.

Quem não entende dessas coisas, fica pensando: "mas que porra tá acontecendo nesse mundo? Tu doa 10 milhões para uma 'boa causa', e em troca eles vem e vandalizam tuas edificações?"

Sim! Esse é o pensamento imediato de quem não entende dessas coisas.

Na realidade, a Amazon ganhou quase 20 milhões de dólares em indenizações pelo vandalismo que os capangas arruaceiros do BLM promoveram nos seus prédios.

E adivinhem agora o pior?! Para onde o "BLM" destinou o dinheiro da doação da Amazon?

Algum palpite? Ninguém?

Eu mesmo digo: para a campanha de Joe Biden, através de uma organização de fachada chamada "Actblue".

Esse mundo tá muito podre mesmo! Se os caras lavam dinheiro dessa forma, escancaradamente, cagando em cima da constituição mais poderosa do mundo, imaginem nós aqui, nesse buraco de 5º mundo chamado Brasil...

P.S.: E ninguém ouvirá um pio das seguradoras que pagaram a indenização à Amazon. Tampouco Joe Biden sofrerá qualquer processo por receber dinheiro dessa forma.

Anônimo disse...

Tendo uma oposição comunista, o presidente Bolsonaro precisa ter agilidade mental para driblar as jogadas dialéticas da esquerda a cada passo de suas decisões (o novelo dessas jogadas só ele conhece). Nesse sentido, os aliados mais fieis são os com que ele pode contar para essas mudanças táticas. Ele deve ter ido explicar essa situação à deputada. O foco do presidente é seu programa de governo que caminha com os que têm o mesmo objetivo e não se compromete com os que têm agenda própria. Por isso, ele pode se aliar a grupos que, no momento, servem ao seu objetivo maior, sem se render à corrupção. Isso é política.

Anônimo disse...

A Floresta Amazônica (não a Amazônia Legal) deve ser um bioma ímpar que determina as interações humanas dos que nela convivem. De longe, só podemos supor a complexidade de fiscalização dessa área compartilhada com outros países, com questões de doutrinação contra nossa soberania por ONGs e igrejas, convivência de diferentes grupos culturais e econômicos. Dessa maneira, o que um comunista como José Goldemberg diz não pode ser levado em consideração por patriotas. Ele segue o script da esquerda, fazendo coro às falácias e meias-verdades da narrativa que busca desgastar a imagem do presidente e destruir o domínio brasileiro sobre esse território.

Unknown disse...

Boa resposta patriota.