quinta-feira, 30 de julho de 2020

Riscos para 27 mil pessoas físicas acionistas do IRB


2ª Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

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A B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devem reavaliar seus regramentos quanto ao aluguel de ações durante o aumento de capital de qualquer empresa listada. Os investidores pessoa física Romano Alegro e Júlio Souza enviaram um manifesto ao mercado, pedindo ao Instituto de Resseguros do Brasil (IRB Brasil-RE), à CVM e à B3 que suspendam, imediatamente, o aluguel de ações, para evitar a destruição artificial e injustificada do valor do IRB durante o processo de aumento de capital.

Os investidores Romano e Júlio lembram de reportagem de primeira página do Valor Econômico informando que o Banco do Brasil e a União Federal venderam, um ano atrás (18/07/2019), 27% de suas participações no ressegurador IRB, por R$ 7,5 bilhões. Os investidores ressaltam que os vendedores arrecadaram um valor maior do que a empresa vale hoje. Argumentam que, no dia 24/072020, o saldo acumulado de ações do IRB alugadas atingia 79.744.812. O valor correspondia a R$ 720.911.808,00. Isto corresponde a 12,60% do free float, 9,30% do valor de mercado e 8,50% da base acionária total.

Romano Allegro e Júlio Souza frisam que o valor de mercado do IRB, na quinta-feira, dia 23/07/2020 (data da precificação dos direitos de subscrição em R$ 0,85) era de exatamente R$ 7.347,6 BILHÕES. Em julho de 2019 conforme reportagem do Valor, BB Seguros e a União Federal venderam 83.900.000 ações do IRB a um preço que ajustado à atual base acionária da companhia, de R$ 30,00 por ação. Equivalente a exatos R$ 28 BILHÕES, valor total da empresa no dia 18/07/2019, dia da alienação das 83.900.000 ações. Ocorre que no dia 31/01/2020 o IRB valia R$ 40,248 Bilhões. Ou seja, essas ações teriam que se valorizar 448% (quatrocentos e quarenta e oito por cento) para alcançar o mesmo valor que ela tinha em janeiro de 2020.

Romano e Júlio prosseguem: “Então imagine por um instante se o investidor pudesse comprar 36% das ações que ele já possui do IRB por um preço ainda mais atrativo, a R$ 6,93? Fantástico não? É exatamente isso que IRB fez. O preço que a empresa definiu para os acionistas registrados até o dia 13/07/2020, foi absolutamente imperdível. Ou seja, ainda abaixo deste preço irrisório de R$ 7,85, referente ao fechamento das ações do IRB no dia 23/07/2020”.

Os investidores chamam atenção para o problema: “Todavia, observem a injustiça, a crueldade. As pessoas físicas que alugaram suas ações em sua esmagadora maioria, nem sabiam que as suas ações estavam alugadas, porque não perceberam que autorizaram isso quando do seu cadastramento nas suas respectivas corretoras. A partir do dia 14/07/2020 em diante, quem alugou as ações do IRB, pôde negociar os direitos de subscrição ao preço médio de R$ 2,27, preço médio do direito IRBR1 naquele dia. De lá, até o dia 23/07/2020, alguns destes locatários das ações podem ter atuado para derrubar o preço do IRB e consequentemente do direito de subscrição, até o dia 23/07/2020, dia da definição do valor de indenização do locatário ao locador (data da precificação dos direitos de subscrição)”.

Romano Allegro e Júlio Souza exemplificam: “Um locatário pode ter vendido um direito de subscrição por R$ 2,60 (preço máximo verificado no dia 15/07) e depois curiosamente o preço foi caindo, caindo, caindo, até R$ 0,85 (fechamento de IRBR1 no dia 23/07/2020). Porém, o locatário vai ter que pagar ao locador da ação, somente o valor de R$0,85. Ou seja, vendeu por R$ 2,60, mas só vai ter de pagar R$0,85, auferindo um ganho de capital de 205,88% em 9 dias”.

Os investidores chamam atenção para o risco de prejuízo: “A única conclusão plausível para esta situação é constatarmos que os investidores pessoa física foram vilipendiados! As pessoas físicas doadoras das ações perderão a chance de subscrever aproximadamente 36% da sua posição acionária, ao preço de R$ 6,93, se até o dia 27/07/2020 não receberem de volta o direito de subscrição e, impreterivelmente no dia 28/07/2020, e apenas nesse dia, confirmar e autorizar a subscrição. Se elas se lembrarem de que tem o direito de exercer o direito de subscrição até o dia 27/07, aproveitarão a oportunidade. Ocorre que no dia 27 a maioria esmagadora dos doadores além de não se lembrar que suas ações podem estar alugadas automaticamente, não se lembrarão de exercer o direito de subscrição com tanta antecedência e JAMAIS RECEBERÃO DE VOLTA SEUS DIREITOS”.

Romano e Júlio insistem: “Estamos diante de um verdadeiro absurdo! A esmagadora maioria dos acionistas pessoa física de IRB receberão R$ 085, por ação no dia 29/07, significando assim a sua total diluição pela perda da chance de participar desta imperdível subscrição a R$ 6,93. Essas mesmas ações foram vendidas há um ano atrás, por R$ 30,00 pela BB Seguros e pela União Federal (BNDES). O problema é que os tubarões do mercado, que são poucos, estão incomodados com a quantidade de sardinhas (investidores pessoas físicas) que detêm ações do IRB, a maior resseguradora da América Latina e que possui mais de 60% do mercado nacional de resseguros. Seguro! Aquele serviço que você paga para não usar, lembra? Pois é, as seguradoras também pagam para as resseguradoras para não precisar tirar do próprio bolso na hora de indenizar os segurados”.

Os investidores advertem: “Mesmo sendo um negócio onde qualquer cliente tem que pagar antes de usar, teve analista jurando de pé junto que o IRB dava prejuízo e que iria falir. No último dia 23/07/2020, o IRB publicou uma nova apresentação institucional que reforça o óbvio. Não existe seguro (ou resseguro) ruim. Existe seguro ou resseguro mal precificado! E o IRB com sua nova administração parece ter mitigado completamente a má precificação de seus prêmios. Então, como afugentar esse cardume colossal de sardinhas que detém ações do IRB? Simples! Devorando-as através do “short-selling.”

Romano e Júlio descrevem como ocorrerá o prejuízo: “Primeiro - com a queda vertiginosa, sistemática e regular do papel você incentiva e convence as sardinhas a alugarem as ações para receberem algum dinheiro pelo suposto “investimento errado ’’que fizeram. Para isso foram pagas taxas de até 40% ao ano, enquanto a Selic está 2% ao ano, com forte viés de queda. Segundo - a sardinha que recebe alguns farelos de ração de juros para que a ação fique alugada, não foi informada pelas corretoras que só terá o dia 27/07/2020 para dizer que vai exercer o direito de subscrição IRBR1 e transforma-lo em ações IRBR3. Se perder essa data a sardinha será diluída em 36% com o aumento de capital do IRB, recebendo R$0,85 por cada direito de subscrição. Mas quem alugaria uma ação cujo o preço só cai? Somente quem aposta ou sabe que ela vai cair mais ainda! Quem aluga uma ação, aluga para vender e depois quando estiver mais barata comprar novamente para devolver ao dono. Essa diferença é o lucro dos tomadores que alugam as ações. Dá pra imaginar sardinhas fazendo isso? Claro que não! Só tubarões nadam nessas águas turvas e revoltas”.

Os investidores chamam atenção para outro problema: “Ao que parece, não só os tubarões degustarão as sardinhas na brasa a moda lusitana, pois jamais poderemos esquecer que, no mundo inteiro a partir do final de fevereiro de 2020, quando o COVID19 se tornou pandemia, todas as bolsas de valores do mundo com alguma seriedade, cancelaram o aluguel de ações. Aqui no Brasil, ao contrário, o aluguel de ações aumentou tanto, mas tanto, que se tornou um verdadeiro FECALOMA no mercado de capitais brasileiro. Sem regras, sem limitação de taxas e de ofertas e sem interesse em incentivar a pessoa física, pois, quem deveria regrar e quem ganha com a intermediação do aluguel de ações só está preocupado em palitar os dentes, mesmo que isso se traduza em um risco sistêmico no mercado, fazendo as pessoas físicas desistirem de investir na bolsa de valores”.

Os investidores insistem: “É extremamente assustador e inaceitável que a quantidade de ações alugadas, atinja 12% da BASE ACIONÁRIA em plena pandemia do corona vírus e durante um aumento de capital de grandes proporções, que implica numa expansão de quase 40% da BASE ACIONÁRIA, mesmo a um preço extremamente convidativo para o acionista. Em outros países, as bolsas acionam mecanismos de proteção em casos semelhantes, cancelando ou suspendendo o aluguel de ações. Aqui a B3 deixa o mercado correr livre, pois além de ser fonte de renda, não há interesse em estimular o investidor pessoa física a investir diretamente. Todos querem a pessoa física cotista de fundos de investimento, não atrapalhando com ativismo, negócios rentáveis. Se coloque no lugar do acionista pessoa física iniciante, que comprou ações do IRB e ficou perplexo ao descobrir que seus direitos não lhe pertencem, e que a ele só restam receber R$ 0,85 em troca de seu direito de subscrição que lhe daria a oportunidade de comprar outras ações do IRB por R$ 6,93. Qual seria a sua reação?”.

Romano Allegro e Júlio Souza advertem: “Estamos diante de um problema sem solução pois o acionista minoritário pessoa física foi envolvido em uma armadilha onde ele será violentamente diluído, aparentemente por uma espiral perversa de desvalorização gradativa, crescente e supostamente artificial. Nessa corrida de obstáculos caso o acionista consiga superar as barreiras, ele não terá coragem de comprar a ação a R$ 6,93, porque ele só terá o dia 28/07 para decidir isto, 15 dias antes do dia 12, e com essa espiral de queda a incerteza só aumenta. Tudo o que os tubarões sempre quiseram, evitar que as pessoas físicas comprarem ações do IRB”.

Os investidores advertem: “Podemos afirmar com convicção que as ações do IRB estão engessadas pela magnitude do aluguel de ações, somadas à conjuntura adversa e o aumento de capital. Aliás, quando há um aumento de capital via oferta de ações o aluguel dos respectivos papeis aumenta consideravelmente, configurando manipulação de preços. Tanto é verdade que, a variação positiva de 48,24% do direito de subscrição IRBR1 na máxima do dia 24/07/2020, negociando um volume recorde de 18.435.900 direitos desde 14/07/2020; e o aumento de 6,5% na ação IRBR3, negociando 57.193.600 ações, só vem a confirmar a nossa tese aqui explicada”.

Romano e Júlio pontuam um fato grave: “O IRB não divulgou nenhum fato relevante que justificasse essa movimentação atípica em único dia. Além disso a Eleven Financial projetou um preço alvo das ações do IRB para R$ 20,00 no final do ano, em um estudo extremamente consistente e confiável”.

Os investidores sugerem a cronologia correta para que os acionistas pessoas físicas sejam devidamente informados e tomem suas decisões, depois de consultarem suas corretoras e assessores de investimentos: 23/07 - Precificação dos direitos de subscrição; 27/07 - Eventual devolução de direitos para aqueles que quiserem subscrever; 28/07 - Único dia possível para solicitar a subscrição de ações alugadas; 29/07 - Pagamento dos direitos não devolvidos a R$0,85 por direito; 07/08 - Último dia para negociação dos direitos; 10/08 - Ultimo dia avisar que vai subscrever; 12/08 - Data de débito na conta do acionista”.

Romano e Júlio citam um bom exemplo no mercado: “Recentemente, no dia 09/07/2020 a COGNA antiga KROTON divulgou em fato relevante que a gestora ALASKA INVESTIMENTOS passou a deter 10,05% de seu capital social total. A ALASKA INVESTIMENTOS, em atitude primorosa, apresentou ao mercado em carta que foi anexada à este fato relevante, não só o número total de ações detidas, mas também o número de opções de compra de ações (apostando na alta) e de opções de venda de ações (apostando na baixa), mostrando ao mercado qual a sua estratégia de investimento, já que com 10,05% de participação acionária, ela pode influenciar diretamente o preço das ações”.

Os investidores concluem: “Se quem apostou pública e insistentemente na queda do IRB, tivesse a mesma transparência e respeito com os investidores minoritários que a ALASKA teve ao tratar com o mercado sobre as ações da COGNA, com certeza os investidores pessoas físicas não teriam sido desinformadas como foram. Com a palavra o IRB, a Squadra Investimentos, B3 e CVM que recebem nosso manifesto”.

Romano e Júlio finalizam: “É muito importante considerar o comunicado ao mercado do IRB de 29/07 de que a companhia vai postergar para o dia 28 de agosto, sexta-feira, após o pregão, a publicação dos resultados do segundo trimestre. A teleconferência sobre os resultados ficou marcada para 31 de agosto. Em decorrência disto, os investidores irão pleitear na AGO e AGE do IRB nesta sexta (31 jul), a partir das 15h, que o aumento de capital seja prorrogado para o dia 4 de setembro. Assim, todos terão pleno conhecimento para a tomada de decisões adequadas, dentro da atual administração de Antônio Cássio dos Santos que revoluciona a empresa. Segundo ele, os três pilares desta nova empresa são: Transparência, prestação de serviços de qualidade e criação de valor. É o que todo mundo deseja”. 

Ave atque Vale! Fiquem com Deus. Nekan Adonai!

Jorge Serrão é Editor-chefe do Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.  A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Apenas solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. 

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 30 de Julho de 2020.

Um comentário:

Anônimo disse...

Comprei um pouco de ações do IRB pelo baixo preço, que considero estar agora na Bolsa.
Considero um investimento de alto risco investir nesta companhia neste momento.
Como o valor investido foi baixo e preparado para grandes perdas, também estou autorizando minha corretora a subscrever as ações agora ofertadas.
Vão ficar lá hibernando a espera de outros que comprem por um bom valor.
Em minha modesta opinião os valores baixos agora são fruto da nossa economia, que já balançava antes da covid19 e da péssima gestão da companhia.