quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A Bandeira


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Aileda de Mattos Oliveira

“E Moisés edificou um altar, e lhe chamou: O Senhor é minha bandeira” (Êxodo, 17:15).

Assim sendo, ‘Bandeira’ não significa, unicamente, o estandarte que vai à frente, abrindo os caminhos da tropa, ou hasteada em competições, informando a sua origem territorial. É muito mais que isso. É um símbolo que não pode ser abaixado, por significar a soberania de uma Nação e, erguida, mantém contínua ligação com o Alto.

Se o Soberano Senhor está acima de tudo e é a Bandeira de Moisés, a Bandeira Nacional, signo-símbolo da Nação, está acima de todos, inclusive, daqueles que se arvoram grandes autoridades por não terem a percepção de seus nulos valores. Elevada ao alto de seu mastro, adejando ao vento, deve permanecer, sobranceira, sempre, por representar a soberania de uma Nação ante outras Nações. Uma Bandeira Nacional que se abaixa é sinônimo de subserviência do povo acovardado; da baixeza moral dos dirigentes; da improbidade destes para o cargo.

Em tempos que ficaram para trás, a Bandeira permanecia presente, sobre uma base, num dos cantos frontais da sala de aula, mantendo com os alunos uma convivência diária. Eram, também, observadas as normas do seu uso em prédios públicos e privados; o horário de sua retirada; a cremação no dia 19 de novembro daquelas já gastas pelo uso e pela batida constante do vento. A Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, recebia alunos de escolas públicas e autoridades para tal solenidade. O Brasil, à época, mesmo sem as atuais e decantadas tecnologias de ponta, era um país, civicamente, civilizado.

A Bandeira de Moisés é Deus, o Comandante Supremo do Universo. A Bandeira do Brasil, por sua vez, é a Suprema Deusa do País, referendada com o selo republicano, por isso é imperativo que se mantenha sempre erguida, numa atitude de vigilância e de alerta a estranhos olhos cobiçosos, num aviso de que “estamos vigilantes”.

A primeira Bandeira republicana foi criada por Ruy Barbosa, nada engenhoso nesse campo, comprovando que deveria labutar, tão somente, na área das letras e na área jurídica nas quais pontificava com maestria. A Bandeira por ele desenhada, réplica da americana, de imediato, foi rejeitada, com veemência, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, que exigiu a manutenção das características já existentes na Bandeira da Monarquia, pela beleza de suas cores e formato: o verde de Bragança (D. Pedro I); o amarelo dos Habsburgo (Dona Leopoldina) na cor do losango, de onde foram retiradas as armas da monarquia, substituídas pelo globo celeste, republicano.

Assim a Bandeira Brasileira da República, instituída no dia 19 de novembro de 1889, por Deodoro, Presidente Provisório, queiram ou não, mantém-se interligada à Bandeira Brasileira da Monarquia, numa espécie de confraternização silenciosa.

Após os tristes anos em que Presidentes comprometidos com o atraso cultural e com organizações de meliantes, façamos reviver, agora, o Brasil Brasileiro, devolvendo à lama do fosso de onde vieram, abjetos seres de baixos escalões da espécie humana.

Nesta data, não se pode esquecer do poeta, escritor, conferencista, Olavo Bilac que, patrioticamente, escreveu um poema dedicado ao “lábaro estrelado”, com o título de “Hino à Bandeira Nacional”, cantado nas escolas daqueles “tempos que ficaram para trás”. Quem desejar voltar a esses tempos, o link , abaixo, ajudará na viagem.

 

https://youtu.be/2UQw9rBfv88

 

Aileda de Mattos Oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. Acadêmica Fundadora da Academia Brasileira de Defesa (ABD); Membro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (CEBRES) e Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB), Articulista do Jornal Inconfidência.

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