segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Reflexões Democráticas


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net


Por João Guilherme C. Ribeiro


Estaremos muito longe da verdade se focarmos nos efeitos e não nas causas e seu histórico.

 

Historicamente, o conceito de democracia apavorava os detentores de poder.  Não podia deixar de ser óbvio que o voto, universal, igualava a todos, tanto esclarecidos quanto ignorantes (não importa na visão de quem), com a mesma parcela de poder na escolha.  Na organização piramidal da sociedade, obviamente o poder iria para as massas.  Obviamente, todos os grupos de poder entenderam isto desde o início (anarquistas, comunas, fascistas, nazistas, jihadistas não têm nada de otários!).  Vamos lembrar que até Péricles e Demóstenes foram acusados de demagogos na velha Grécia, berço da proto democracia...

 

Montaigne pensou sobre isso, ao meditar sobre o poder. 

 

Na velha Europa, principalmente na Inglaterra, mais chegada à evolução natural (insular, tradicional e defendida pelo fosso do Canal da Mancha) do que às revoluções, esse trajeto da relação entre a sociedade e o poder, o sistema de escolha foi encontrando seu caminho.  Lembro do comentário de Voltaire, nas Cartas Inglesas, se não me engano, de que depois de seis meses no exílio entre os ingleses, não ouviu falar uma vez sequer a palavra "liberdade".  E concluiu que eles se achavam livres ("A casa do homem é seu castelo!").  Por mais imperfeito que fosse, eram realmente muito mais livres do que os franceses sob os Luíses...

 

Quando os descendentes dos ingleses criaram seus mini países em 1776, mais tarde consolidados em uma união, criaram o sistema de "checks and balances" (travas e equilíbrio, diríamos): uma Câmara de Representantes, eleita pelo povo, e um Senado, indicado pelos governadores dos Estados.  Contrapunham assim, para algum equilíbrio, os interesses das massas, sempre manipuláveis pelos demagogos (à esquerda ou à direita, tanto faz) com os interesses das camadas "mais esclarecidas", por assim dizer.  Que tiveram sucesso, não há dúvida.

 

De 1783 para cá, de 4 em 4 anos, chova ou faça sol, em período de paz ou de guerra – entre elas uma terrível guerra civil, onde morreram mais americanos do que nas duas guerras mundiais – eles elegem um presidente e permitem, pela escolha, que o poder continue nas mãos do líder atual ou passe às mãos da oposição.

 

Conosco foi inteiramente diferente.  Ah, por favor, não coloquem a culpa na herança luso-hispânica. 

 

Mal ou bem, os dois períodos imperiais consolidaram o Brasil constitucional e sem censura.  Por mais que a tal herança tenha pesado, basta lembrar do retrocesso que foram a República Velha, o Estado Novo (ressalvando-se a perícia de Vargas para sobreviver à guerra e às intentonas de esquerda e direita).  Perto dos 200 anos de independência ainda escorregamos, ao sabor de um cipoal de leis absolutamente imbecil, um regime destrambelhado e inconsequente, cultura de cartórios e amanuenses medievais, que sequer garante a seus cidadãos leis transparentes que possam conhecer. Exagero? Não. Fico admirado que nossa "constituição" (tinha que haver uma, não tinha?) não mencione as alternativas para o consumo de papel higiênico...

 

Então, nossa realidade é o domínio do establishment privilegiado, hoje aparelhado de tal forma a chocar o velho Parkinson (se não conhecem, procurem no google "A Lei de Parkinson", de C. Northcote Parkinson, um clássico na descrição da burocracia).  Chega às raias do absurdo, se nos lembramos de que nem o idioma está seguro.  De 1942 para cá, já tivemos sei lá quantas reformas.  Quer dizer, o brasileiro não se sente seguro em nada, nem quanto às leis (sempre sem saber se essa "pegou" ou não, sempre refém dos fiscais) nem quanto ao próprio idioma...

 

Bem por que falei tanto?  Porque você tocou no ponto certo, o ponto fora da curva chamado Bolsonaro. 

 

Um cara honesto, queiram ou não – por favor, a vida do homem foi esmiuçada de cabo a rabo e confirmado por dois anos de governo sem corrupção – capaz do discurso certo para um povo farto de esquemas de corrupção e roubalheira, dopado por uma mídia de cáftens por trinta anos, à base de sofismas, mentiras e distorções.  Vox populi vox Dei?  Talvez.  Mas é mais do que isso: eu diria que o homem certo no momento certo com o discurso certo.  Ou vocês acham que um Mourão teria capacidade de romper o muro reforçado por trinta anos de propinas, lavagem cerebral e aparelhamento das instituições pela esquerdalha imunda?

 

Vou repetir, para não deixar dúvidas: esquerdalha imunda pela desonestidade, pela inépcia e pelas consequências de ambos!  Ou um Moro, em que pese o trabalho da Lava Jato, que,por outro lado, também pode ser computado como interesse político para substituir o tamanco e a mortadela pelo terno, gravata e whisky?  Acho estranho que, malgradas todas as provas escancaradas de trinta anos de ilícitos, que os opositores do "mito" (não foi o marketing que inventou, foi?) ainda persistam em ampliar insignificâncias como "provas" de alguma culpa. 

 

Ora, por que não cola?

 

Ora, por que a popularidade do Bolsonaro não cai?

 

Porque, aos olhos do povo – nos dois lados da dicotomia do poder, elite e massa – ele é coerente.  Prometeu e está cumprindo.  Em uma terra de diálogos tão falsos quanto uma moeda de 3 reais, ele diz a verdade de forma clara e inequívoca, recheada de palavrões absolutamente adequados ao que ele quer exprimir e na força certa.  Aqui não é questão de opinião, mas de análise.  "O meio é a mensagem". A velha frase do professor Marshall McLuhan, tão em moda em nossa juventude, mais uma vez se prova correta.  Gostem ou não, as redes sociais, para bem ou para mal, libertaram o povo do jugo dos grupelhos, da grande mídia imunda, da intelligentsia gramsciana, enquistada nos feudos da educação, das decisões monocráticas do establisment aparelhado e da militância dos 50 "real".

 

Quando discutirem em sua próxima reunião, por favor, pensem simples.  Não rebusquem. 

 

Melhor seguir o exemplo do Bolsonaro nas apresentações de 5ª-feira: simplicidade no discurso, transparência na emoção e na indignação e força no expressar-se.  Há momentos em que não há substituto para o palavrão.  O resto é baboseira "politicamente correta", que também seria melhor definida por um palavrão. Não que deva ser vírgula, não que deva ser como letra de funk, mas, convenhamos, a verdade é ainda mais contundente com a ênfase do palavrão ocasional... 

 

Prefiro mil vezes o Costinha ao Faustão.


João Guilherme C. Ribeiro é livre pensador e empreendedor cultural.


Um comentário:

Anônimo disse...

João Guilherme: "um Mourão tem a capacidade de romper o muro reforçado por trinta anos de propinas, lavagens cerebrais e aparelhamento da esquerdalha imunda"???
Quem tem o dever de dar estas respostas é o Jorge Serrão, que é MAÇOM como o seu "irmão" Mourão! Jorge Serrão deveria avaliar se a maçonaria vê em Mourão um representante a altura de seus principios, exemplificando-os na prática, em ações neste governo Bolsonaro.
É uma missão muito dificil para o Serrão, é como tentar tirar leite de pedra, quando a maioria dos brasileiros já chamam Mourão de "general melancia", nome que o liga diretamente ao globalismo, ao comunismo, onde o que impera é a escravidão. Bolsonaro mesmo dá amostras de que não confia em Mourão por razões muito mais concretas do que aquelas que a população já conhece vindas da própria boca de Mourão, já mais do que suficientes para repudiá-lo.
Se Mourão representa a maçonaria no Poder, a maçonaria jogou no lixo esta oportunidade, e, pelo contrário, amplificou enormemente seu repúdio pela sociedade!