domingo, 7 de março de 2021

Desgoverno


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Carlos Henrique Abrão


O erro sistêmico que é peculiar ao desgoverno brasileiro em todos os seus níveis nos leva a constatar que o regime representativo é falho e o modelo de reeleição caótico, uma vez que tudo é admissível por causa de angariar o populismo e o voto do cidadão que não tem opção alguma de vida.


Milhares de mortes que mostram o quadro sombrio pavimentado pela ideologia. Temos que falar com os especialistas e eles conosco, pois que a demora para vacinar também evidencia um errático patamar de desconhecimento, já que a vacina deveria ser para todos e não apenas por faixa etária, já que os dados estatísticos atuais representam o crescimento exponencial da contaminação entre jovens. Estaria portanto o establisment certo de precaver apenas a terceira idade em detrimento de trabalhadores e demais hipossuficientes econômicos.


O cronograma é lento por vários motivos o principal é a falta de vacina suficiente para a sociedade e toda a população. O segundo: não há logística ou mesmo infraestrutura para o deslocamento. Centenas de casas de idosos deveriam ter prioridade na atual conjuntura, porém nossas autoridades fazem campanha antecipada e dizem que o problema está resolvido e praticamente contornado. As maiores capitais do País passam por novo fechamento e a tendência é a queda do produto interno bruto em contrapartida o aumento do desemprego, mas que se dane o mercado, já que a prioridade é a vida.


Acordamos de um pesadelo que teve início faz um ano, mas o sonho político faliu e agora precisamos agir mais do que depressa. Não temos saúde pública, a rede de planos particular somente tem o viés monetarista. Aumenta seus ganhos

especulativos na bolsa. A formação de um profissional de medicina é custosa e demorada. A faculdade particular custa em média 10 mil reais, e muitos brasileiros vão fazer o curso nos Países vizinhos simples e puramente em razão do valor da mensalidade.


Pusemos a mão na ferida, ou melhor abrimos e vimos sangrar cheia de pus nos tentáculos da corrupção e incompetência governamental, além do abuso de empresários que vendem gêneros de primeira necessidade, além de máscaras e luvas cirúrgicas com aumento superior a 70 por cento.


O que significa tudo isso? Nada mais nada menos a ganância, a ausência de órgão regulador e a total falta de uma sociedade organizada. Marchamos na contramão da história e não é de hoje mas de séculos, não temos maturidade, racionalidade e a mídia somente joga quanto pior melhor, com as notícias mais desencontradas, agora em dessintonia fina com a mídia eletrônica.


Acaso não ocorra uma trégua entre os governantes, chega de bater boca e cabeça, quem sofrerá é a péssima situação da rede hospitalar. Cidades infestadas do pestilente vírus e sem UTI, os hospitais de campanha desativados prematuramente. Aonde estão os técnicos que não previram variantes vindas de outros Estados? Não há dinheiro para ciência, para pesquisa, e  laboratórios, temos que copiar modelos e os insumos são todos importados. China e Índia maiores fabricantes deram uma banana e fecharam seus mercados.


Muitas lições temos, no mínimo, a obrigação de aprender com a pandemia. Não adianta formar casta de privilegiados, manter planos de saúde caríssimos ou saúde pública sucateada. A meta maior é dar em geral uma condição de vida capaz de enfrentar as adversidades. E como se alcança esse patamar, não é simples, mas com distribuição de renda, retirada de tributos e impostos da cesta básica, atendimento universal à saúde e sobretudo melhoria das redes de captação de esgoto e tratamento de água.


Saímos da décima economia do mundo e patinamos, não temos organização ou planejamento. Até quando seremos reféns do vírus que agradece ao desgoverno brasileiro?


Carlos Henrique Abrão é Doutor em Direito Comercial pela USP com especialização em Paris, professor pesquisador convidado da Universidade de Heidelberg, autor de obras e artigos.

Um comentário:

Anônimo disse...

...desgoverno brasileiro?...então o excelentíssimo e nobre doutor esqueceu do seu título de desembargador do TJ/SP onde julgou por muitos anos os desgovernos de SP e ninguém era condenado? O que houve? Acabou a lagosta? Ou acabaram os otários?