terça-feira, 23 de março de 2021

“Na supremacia dos idiotas, o rancor social determina os costumes e a cultura”


Artigo no Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Antônio Fernando Pinheiro Pedro

 

Nossa democracia está se desfazendo sob a polarização protagonizada por gente problemática. O risco de desfazimento das garantias da cidadania, por ação de agentes acometidos por síndromes e paranoias, parece ser maior e mais extenso do que parece.

 

Nelson Rodrigues identificou que os idiotas, percebendo-se maioria, perderam a vergonha - trataram de se  candidatar a cargos públicos,  obter mandatos populares e  exercer funções executivas na mídia e em grandes empresas. Uma tragédia anunciada há tempos.

 

A questão é que essa hegemonia política dos ressentidos ameaça o pluralismo, que é a própria essência do regime democrático. É o ápice do regime político comandado por "gente com problema".

 

Antigamente, gente ignorante,  arrogante,  falsa, agressiva,  covarde, preconceituosa, invejosa, rancorosa,  contaminada pela soberba, intrometida e  dona da verdade - era vista com reserva. Tratava-se, como diziam nossos pais,  de "gente com problema".

 

Os mais velhos nos orientavam a tratar  tipos problemáticos  educadamente, sem no entanto "se deixar envolver", quando apresentassem algum risco disfuncional.

 

O mundo, na geração passada, era  mais cordial.  Afinal, não era de bom tom discriminar ostensivamente, muito menos ser deseducado. Cautela e caldo de galinha nunca foram sinal de preconceito.

 

A literatura, ao longo do tempo,  sempre refletiu essa observação atenta à natureza humana. 

 

A mediocridade pedante do Conselheiro Acácio, no romance "Primo Basílio", de Eça de Queiroz, divertia os leitores. Vilefort, o procurador  covarde que traiu a confiança de Edmond Dantés  na trama "O Conde de Montecristo", de Alexandre Dumas, causava náuseas. Nutria-se raiva do ativismo justiceiro do inspetor Javert, na grande obra "Os Miseráveis", de Victor Hugo. Pateta era mesmo pateta nos quadrinhos de Disney e as neurastenias do Capitão Haddock - o alcóolatra de alma limpa, amigo do repórter  Tintin, de Hergé,  eram toleradas e  compreendidas.

 

Não era crime conhecer e lidar com a natureza humana.

 

Mas os tempos mudaram. A vida tornou-se chata e judicializada. 

Não basta agora ignorar. É preciso adular e promover o problemático.                                                   Pior: insultar e "cancelar" o crítico racional. 

 

No Brasil, o fenômeno ganhou contornos de tragédia. Somos hoje tutelados por "gente com problema". 

 

A chatice tornou-se constitucional e a sociopatia funcional. Até mesmo corruptos, uma vez descobertos, solicitam indenizações por terem sido "vitimados" pela lei. Terraplanismo saiu do anedotário - virou mentalidade governamental.

 

Psicopatas perigosos encontram-se postados em posições de mando nos poderes da República, nas carreiras jurídicas e nas esferas encarregadas de exercer poder de polícia. 

 

O problemático agora produz jurisprudência. E essa cadeia da mediocridade é solidária; afeta o tecido social e a estrutura do Estado, do direito de família ao  direito de vizinhança. 

 

Nelson Rodrigues faleceu sem ter o desprazer que hoje temos, de testemunhar o anticientificismo imbecil suplantar a inteligência.

 

Fascistas rastaqueras, totalitários de quitinete, ideólogos de botequim e teóricos da conspiração de cozinha, alternam bandeiras populistas e  identitárias. Como verdadeiros siris de praia - polarizam o debate zanzando da esquerda para  a direita, sem nunca ousar dar um passo á frente. 

 

Do maluco que descarta a máscara numa pandemia gritando "mito"  ao militonto que acha que corrupção tem ideologia, passando pelo vegano de buffet de saladas na churrascaria e  excretadores de regras em rede social,  todos sublimam seus problemas pessoais destruindo o patrimônio intelectual e cultural brasileiro. Condutas imbecis tornam-se norma em função da inconfessável necessidade que muitos têm de  socializar o seu rancor pessoal  ou simplesmente interferir na vida alheia.

 

Doença crônica na política internacional, o populismo é expressão da supremacia dos idiotas. Seja polarizado à esquerda ou à direita, a paranoia resultará na mesma tragédia. O Brasil é vítima dessa sociopatia, cujos conflitos jurídico-institucionais desbordam definitivamente  para o campo da psiquiatria. 

 

No populismo, direitos tradicionais do cidadão transformam-se em crimes, inteligência é ameaça, saúde pública é  "arma do inimigo" e  a justiça  reduz-se a válvula de escape para a tirania.

 

Exemplos não faltam. Basta ler o diário oficial ou ouvir a "Voz do Brasil" -  um programa certamente feito para gente com problema.

 

Deformidade de caráter virou regra. Com a supremacia de tipos problemáticos a deformação de valores tornou-se inevitável.

 

Se pode haver limites à inteligência humana, parece não haver limites para a mediocridade. Aliás, jamais devemos subestimar um imbecil, pois ele sempre se supera.

 

Portanto, ante o estado de coisas que vivemos no Brasil e no mundo,  podemos entender que a loucura não é mais um problema, é solução. 

 

Diria Freud se estivesse vivo: "sintomático". 

 

Aliás, Freud, hoje, seria com certeza processado ou "cancelado"  pelos idiotas.


Antônio Fernando Pinheiro Pedro é Advogado.

3 comentários:

Anônimo disse...

“Não basta agora ignorar. É preciso adular e promover o problemático” (A. F. Pinheiro Pedro)
E olhe que o autor não entrou na seara do Politicamente Correto e seus correlatos como não só a aceitação, mas a admissão da supremacia racial “afro-descendente”, do feminismo (hipócrita quando, p.ex., reivindica cotas parlamentares) e da tal diversidade de gênero. Gramsci deve estar comemorando no Inferno! Até na mais recente Campanha da Fraternidade patrocinada pela CNBB, estão lá umas teólogas da TL, visivelmente mal-amadas, ditando novas regras para uma teologia de inclusão da “marginália social” como protagonista da História. E, como exacerbação de um feminismo radical, até contestam Deus como um ente masculino ao propor a criação e adoração de uma deusa-mãe. E se alguém discordar, a pecha de fascista é na lata! A idiotice e a hipocrisia amplas, gerais e irrestritas estão no comando, pelo menos dessa mídia que o Serrão chama de “extrema imprensa”. (lídia)

aparecido disse...

Einstein disse : duas coisas são infinitas : o universo e a imbecilidade humana.. e do primeiro ainda tenho algumas duvidas...

Anônimo disse...

“Não basta agora ignorar. É preciso adular e promover o problemático” (A. F. Pinheiro Pedro)
E olhe que o autor não entrou na seara do Politicamente Correto e seus correlatos como não só a aceitação, mas a admissão da supremacia racial “afro-descendente”, do feminismo (hipócrita quando, p.ex., reivindica cotas parlamentares) e da tal diversidade de gênero. Gramsci deve estar comemorando no Inferno! Até na mais recente Campanha da Fraternidade patrocinada pela CNBB, estão lá umas teólogas da TL, visivelmente mal-amadas, ditando novas regras para uma teologia de inclusão da “marginália social” como protagonista da História. E, como exacerbação de um feminismo radical, até contestam Deus como um ente masculino ao propor a criação e adoração de uma deusa-mãe. E se alguém discordar, a pecha de fascista é na lata! A idiotice ampla geral e irrestrita está no comando, pelo menos dessa mídia que o Serrão chama de “extrema imprensa”. (lídia)